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Onda de solidariedade com a Syriza e o povo grego

Neste artigo, damos conta de algumas das demonstrações, quer no panorama nacional como internacional, de solidariedade com o povo grego e com a coligação Syriza "na luta por um governo que enfrente a catástrofe social e a bancarrota".
Foto de Carolina Georgatu, flickr.

“Pela vitória da Grécia contra a chantagem”

A 25 de maio foi lançado um manifesto português de apoio à Syriza que reúne actualmente mais de 1700 assinaturas. O manifesto, intitulado “Pela vitória da Grécia contra a chantagem”, apela “à solidariedade internacional com a democracia na Grécia” e manifesta o seu apoio à coligação Syriza “na luta por um governo que enfrente a catástrofe social e a bancarrota” (ler artigo Lançado manifesto português de apoio à Syriza).

Entre os primeiros 252 subscritores deste manifesto encontram-se Alfredo Barroso (jornalista), Ana Drago (deputada), Carvalho da Silva (sociólogo, investigador do CES da Universidade de Coimbra), Fernando Rosas (professor universitário), António Arnault (advogado), Boaventura Sousa Santos (sociólogo, professor universitário) e José Vítor Malheiros (consultor), assim como inúmeras personalidades da área da literatura, da música, do espetáculo e do audiovisual, como o escritor José Luís Peixoto, o músico Zé Pedro dos Xutos e Pontapés e o realizador João Salaviza, e ainda dirigentes associativos e sindicais, historiadores, antropólogos, médicos, dirigentes estudantis, professores universitários, jornalistas e desempregados, entre muitos outros.

Este manifesto pode ser subscrito aqui.

“Na Grécia, o povo é quem mais ordena”

Esta terça feira, foi entregue na embaixada da Grécia em Portugal, por uma comitiva constituída por Manuela Silva (economista), Guadalupe Simões (do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses), José Manuel Mendes (presidente da Associação Portuguesa dos Escritores), Hélder Costa (dramaturgo e encenador) e Cipriano Justo (médico), uma cópia da carta aberta ‘Na Grécia, o povo é quem mais ordena’, dirigida ao FMI, BCE e CE e subscrita por mais de 3600 pessoas.

No documento, que foi inicialmente subscrito por personalidades como Mariana Aiveca (deputada), António Avelãs (professor, dirigente do SPGL), Carlos Brito (antigo deputado, escritor), Carlos Trindade (dirigente da CGTP), Elísio Estanque (sociólogo), Manuel Alegre (escritor), José Castro Caldas (investigador), José Reis (economista, professor universitário) e Isabel do Carmo (médica e professora universitária),  são repudiadas as declarações por parte dos mais altos representantes das instâncias internacionais, que “vão no sentido de influenciar e condicionar a liberdade de escolha e decisão dos gregos, ao colocar na agenda política, ao arrepio dos tratados europeus, a sua saída da zona euro com todas as consequências daí decorrentes”.

Os signatários desta carta aberta expressam “todo o apoio e solidariedade ao povo grego, exigindo o cancelamento das medidas de austeridade que lhe foram impostas”, “entendem também que os governos europeus não devem poupar esforços junto da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu para serem encontradas soluções que aliviem a tensão vivida em toda a Europa e “exigem, finalmente, que sejam respeitados os resultados das eleições de 17 de junho enquanto escolha democrática do povo grego”.

"Solidariedade com os trabalhadores e o povo da Grécia!”

No abaixo-assinado “Solidariedade com os trabalhadores e o povo da Grécia!”, os signatários “manifestam o seu mais veemente protesto perante a brutal pressão que está a ser exercida sobre os trabalhadores e o povo da Grécia com o objetivo, por vezes cinicamente confessado, de influenciar os resultados das eleições legislativas do próximo dia 17 de junho”.

“Empenhados em Portugal em idêntico combate do povo português”, os signatários expressam, desta forma, “a sua ativa solidariedade aos trabalhadores e ao povo da Grécia”.

Este documento é subscrito por personalidades como Cláudio Torres (arqueólogo), Deolinda Machado (sindicalista), Eugénio Rosa (economista), Heloísa Apolónia (deputada), Manuel Loff (historiador), Maria do Carmo Tavares (sindicalista) e José Barata-Moura (professor catedrático).

“Somos solidários com o povo da Grécia”

Trinta e duas personalidades portuguesas decidiram lançar, a 15 de fevereiro, um comunicado de solidariedade com o povo grego. No documento, intitulado “Somos solidários com o povo da Grécia”, os signatários, entre os quais Mário Soares, Almeida Santos, Eduardo Lourenço, Vasco Lourenço, D. Januário Torgal Ferreira, José Soeiro e Diana Andringa, “apelam à solidariedade com o povo grego e à criação de condições que permitam respostas democráticas e consistentes de uma Europa solidária aos problemas sociais e direitos das pessoas”.

Apoio internacional à Syriza 

Vários intelectuais europeus lançaram um manifesto (ler artigo Intelectuais Europeus apoiam Syriza) de apoio à esquerda grega no qual defendem que "é em Atenas que se joga o futuro da democracia e da própria Europa". Giorgio Agamben, Tariq Ali, Rossana Rossanda, Jacques Ranciere, Nancy Fraser e Alain Badiou são algumas das personalidades que assinam o manifesto.

No manifesto "Com a Esquerda Grega para uma Europa Democrática", os subscritores insurgem-se contra "a campanha de desinformação e intimidação" que está em curso na Grécia contra a coligação Syriza e defendem que "é altura de abandonar uma política que tem conduzido à ruína uma sociedade inteira e que considera um povo incapaz de se governar, em nome do salvamento dos bancos".

"O que nós queremos, tal como os eleitores gregos e os ativistas e dirigentes da Syriza, não é o desaparecimento da Europa mas a sua refundação", dizem os subscritores do documento, que inclui a economista Cristina Semblano, candidata do Bloco pelo círculo da Europa nas recentes legislativas, e a professora Fernanda Bernardo, que ensina Filosofia Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. O apelo é subscrito por mais de 170 personalidades.

Num comunicado publicado no Left.gr, o filósofo e professor universitário francês Étienne Balibar, o professor de Ciência Política americano Wendy Brown, a filósofa americana Judith Butler e a crítica e teórica indiana Gayatri Chakravorty Spivak exprimem o seu “apoio aos ideais corporizados pela esquerda Grega antes das eleições de 17 de junho, uma vez que eles dão voz clara às exigências de democracia social e económica sob as condições do neo-liberalismo”.

Os subscritores apoiam “os esforços do povo da Grécia para arrebatar o poder aos tecnocratas não eleitos" e opõem-se "à demonização desastrada da coligação de esquerda atual por ser uma 'caça-às-bruxas' inaceitável e propaganda maliciosa”.

Várias personalidades europeias também já vieram manifestar individualmente o seu apoio à Syriza e apelar ao voto nesta coligação.

Tony Benn, político do Partido Trabalhista britânico, que foi membro do Parlamento por cinquenta e um anos (1950-2001), e ministro de Harold Wilson e James Callaghan, defende que o voto na Syriza é um voto na democracia, considerando que esta é “a força política que combate o sistema corrupto de poder de dois partidos e as medidas de austeridade impostas ao povo grego pelos banqueiros da troika” (ler artigo Tony Benn apela ao voto na Syriza).

O filósofo esloveno Slavoj Zizek já participou na campanha da Syriza e diz que a coligação da esquerda radical grega é hoje "a única oportunidade para a Europa" (ver vídeo).

Artigo atualizado às 12:00 de 14.06.2012.

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