“A diplomacia portuguesa tem de decidir de que lado é que está”

13 de outubro 2010 - 0:04

Esta terça-feira, Portugal foi eleito para um lugar de membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU. Em comentário, o líder parlamentar do Bloco, José Manuel Pureza, exortou a diplomacia portuguesa a colocar a ONU acima da Nato.

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Portugal superou a candidatura de há 14 anos. Na eleição de 1996, Portugal teve 112 votos a favor na primeira volta e acabou por ganhar na segunda com 124 votos.

“Portugal tem de decidir, a diplomacia portuguesa tem de decidir de que lado é que está”, defendeu o líder parlamentar do Bloco, José Manuel Pureza, num comentário à recente eleição de Portugal para um lugar de membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, para o biénio 2011-12.

A eleição foi conseguida numa terceira votação após a desistência do Canadá, o país que disputava com Portugal um dos dois lugares no agrupamento regional “Europa Ocidental e Outros”. A Alemanha foi eleita neste grupo à primeira volta.

Mas para José Manuel Pureza, só se esta eleição “significar um maior compromisso da diplomacia portuguesa com o cumprimento da Carta das Nações Unidas, com o primado do direito internacional”, então, “esta terá sido uma boa notícia”. 

“Se, pelo contrário, está do lado de uma desvalorização das Nações Unidas protagonizada pela NATO e, portanto, nessa altura, esta terá sido uma notícia de menor importância, e isso seria muito mau”, sublinhou. 

Para José Manuel Pureza, “a verdade é que o Conselho de Segurança e as Nações Unidas em geral têm sido progressivamente relegados para um lugar secundário na regulação das relações internacionais. E há um nome que está particularmente ligado a essa desvalorização: esse nome é o da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a NATO”. 

O líder parlamentar do Bloco lembrou a simultaneidade de Portugal se juntar ao Conselho de Segurança da ONU e de acolher a Cimeira da Nato, que vai ocorrer em Lisboa em Novembro, sublinhando que nessa cimeira “a NATO se vai auto-atribuir um poder de intervenção em geografia mundial e para quase todas as questões”.