Hoje o trabalho tornou-se um totoloto, em que a estabilidade tem menor probabilidade que a fortuna fortuita. Há, no entanto, um feliz trabalhador, de seu nome Austeridade.
O caso dos colégios privados é paradigmático de um Robim do Chico Espertismo que tira ao erário público para encher os bolsos das potentes frotas de carros, das fantásticas viagens ao estrangeiro, dos apartamentos na praia e dos ninhos de empresas que nada têm a ver com educação.
O relatório da OIT refere que “as medidas de reestruturação do sector público contribuíram diretamente para o desemprego". São estas as conclusões que deixam o Governo sozinho na defesa da austeridade.
Portugal tem a menor área pública florestal da Europa, a maior área de eucaliptal da Europa e é o país com maior área ardida da Europa. Podemos dizer que não existe nenhuma relação entre estes factos?
Em vários bairros do Porto, a privatizada EDP fez saber que o dinheiro é quem mais ordena. Tendo este monopólio sido privatizado, na verdade, qualquer preocupação social actual não faz parte das suas prioridade.
Muitos e muitas não saíram do estado de medo em que a chantagem sobre a troika os pôs. Porque não é fácil fazer passar a alternativa e pensar diferente. Porque não é fácil deixar de se ter medo. Mas o estado das coisas assim o exige.
Num recente caso mediático, a cobertura da comunicação social permite o debate público sobre a violência doméstica e revela como os agressores podem usar os média para revitimizar as mulheres. Na maioria dos casos de violência contra as mulheres o silêncio mediático é ensurdecedor.
Ao contrário do que repete a direita, a pergunta não é se nos podemos dar ao luxo de ter o estado social, que é a condição de igualdade que fez a nossa democracia, mas se pelo contrário nos podemos dar ao luxo de não ter Estado Social.