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O Robim dos Chicos Espertos

O caso dos colégios privados é paradigmático de um Robim do Chico Espertismo que tira ao erário público para encher os bolsos das potentes frotas de carros, das fantásticas viagens ao estrangeiro, dos apartamentos na praia e dos ninhos de empresas que nada têm a ver com educação.

Quem viu a reportagem da jornalista Ana Leal, na TVI, sobre colégios privados descobriu verdades inconvenientes que estão à vista de qualquer um, mas continuam impunes. Quando Nuno Crato se desculpa com a liberdade está a insultar quem lutou por ela, quem sofreu para que um ministro venha evocar o que quer transformar em conceito oco. Olhando para o seu passado, só a ambição pessoal explica a volta de 360º no seu percurso político.

O caso dos colégios privados é paradigmático de um Robim do Chico Espertismo que tira sim senhor, mas não é aos ricos para dar aos pobres, tira ao erário público para encher os bolsos das potentes frotas de carros, das fantásticas viagens ao estrangeiro, dos apartamentos na praia e dos ninhos de empresas que nada têm a ver com educação.

As escolas públicas são preteridas em nome de uma liberdade de escolha que sabemos desleal. Quando há a possibilidade de terem transporte à porta de casa, de terem instalações com tudo o que há de mais moderno, dos alunos terem um cheque-ensino, de haver professores que vivem num regime feudal, sabemos que o privado ganha ao público. Os docentes destas escolas sabem que jamais podem demonstrar o seu descontentamento, chegam a dar no seu horário 5 horas grátis por semana ao colégio e a frequentar ações de formação patéticas cujo único objetivo é a sua presença na escola. Serem sindicalizados é motivo para serem ostracizados, mas são os próprios sindicatos que sempre demonstraram uma certa alergia em defender estes professores, ainda não perceberam que também eles são explorados em nome de uma crise social.

Há rostos neste processo. A construção desses colégios foi feita graças ao favoritismo de políticos que hoje colhem os dividendos da sua traição ao estado. Como explicar a apressada aprovação da construção de um colégio, quando sabiam que daí a 6 dias iam terminar as suas funções governativas? Argumentar que estas escolas na altura em que foram implementadas eram necessárias é atirar areia aos olhos. Interessa o presente, em que Paulo Portas apresenta um patético guião tendo como único objetivo cortar, cortar, cortar sobretudo no estado social. Então e porque não se corta no financiamento destas escolas? Quanto ao Robim dos Chicos Espertos, esse vai alimentando as máquinas de influências a seu belo prazer, com uma precisão matemática, esquecendo quem o elegeu.

E tudo isto em nome de quê? Em nome de uma falta de respeito pelo que é a coisa pública. Não há professores nem meios para os alunos com necessidades educativas especiais, não há dinheiro para fazer obras nas escolas, mas para encher os bolsos dos chicos espertos já há. É uma luta inglória contra um Golias engravatado.

Mais uma vez o Robim dos Chicos Espertos esfrega as mãos de contente, o importante é a liberdade de escolha. A elitização do ensino para quem pode. Sim, mas qual é a liberdade de escolha de quem vê o seu educando a regredir por falta de apoio e o seu salário a ser reduzido? De quem vê claramente que o estado se esqueceu de si…

Sobre o/a autor(a)

Professora. Dirigente do Bloco de Esquerda de Coimbra.
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