Para uma direita com tanto alcance e poder em tantas esferas, torna-se muito difícil aceitar que uma parte significativa desse poder ainda seja ditado pelas pessoas, pelo voto e que recentemente as eleições determinaram que a maioria discorda da sua proposta política.
O voto popular não deu uma maioria absoluta ao governo Passos-Portas e também não deu uma maioria ao PS. É possível ter um acordo geral contra a austeridade? Contra a precariedade? Em defesa dos serviços públicos?
Três milhões de votantes rejeitaram a austeridade. É esta a maioria absoluta que tem de ser respeitada. Este é o mandato popular que o Bloco de Esquerda vai respeitar escrupulosamente.
O Bloco de Esquerda apesar de, em termos proporcionais, ter uma presença menos expressiva nos órgãos das autarquias locais do que na Assembleia da República ou no Parlamento Europeu, tem bem vincado na sua atividade política a defesa da autonomia local.
Quando um Presidente da República tem a pressa e a necessidade em lembrar aos cidadãos quais são os pilares do regime é porque o medo começa a mudar de lado.
O Bloco de Esquerda sabe o que quer e como quer. Aceita a negociação, vamos a isso. Não haverá governo de esquerda se o PS fraquejar mas essas são contas do seu rosário que terá de prestar hoje e no futuro.
O que a direita não pode escamotear é que estão criadas condições para um virar de página em Portugal. Há uma maioria objetiva no parlamento que o viabiliza.
Confesso o desapontamento que senti pelo facto de, durante todo o tempo que durou a mensagem, ter esperado ansiosamente, em vão, que o Sr. Presidente da República desviasse os olhos do teletexto e olhasse para mim.