A vergonhosa carga policial ordenada por Rajoy, precedida de vários outros atos de repressão contra instituições democráticas da Catalunha, é o maior argumento em favor deste referendo, e do direito do povo catalão à autodeterminação.
Se, no conjunto, a confluência maioritária PS-BE-PCP fica reforçada perante a derrota da direita, também é certo que vai ter muito trabalho, que exige muita negociação e criará tensão. É a vida, como dizia um antigo primeiro-ministro, e ainda bem.
O PS beneficiou mais que os seus parceiros da “geringonça” de estar a governar num contexto nacional de grande apoio popular às mudanças políticas em curso impulsionadas pela esquerda parlamentar.
Manuel Martins proclamou, com serenidade firme, que "A Igreja tem de ser a voz dos sem voz". Parecerá agora frase feita. Mas quando foi proferida, nas circunstâncias em que o foi, e por um bispo, a frase soou a convocação à mudança drástica.
Há dois dias realizou-se um referendo acerca da independência do Curdistão iraquiano, conduzida pelo governo regional. Apesar do perigo, a população teve o direito de votar.
É urgente fazer o debate sobre a forma de contrariar a escalada de degradação da qualidade da democracia que vem associada, em muitos casos, a elevados níveis de falta de transparência.
Portugal conhece demasiado bem o resultado das maiorias absolutas do "centrão". Nos governos, como nas autarquias, o poder incondicional serviu as piores políticas, corroeu a qualidade da democracia e minou a credibilidade do sistema político.
Sempre preferiu sair cá para fora, para o adro e para além dele, para “ocupar espaços de onde a Igreja nunca devia ter saído". Era até muito por isto que passaram a chamá-lo “bispo vermelho”.