Greve geral exige a renúncia do actual primeiro-ministro e atinge o sector privado, a educação, saúde, turismo e transportes. Por Tomi Mori, de Tóquio, para o Esquerda.net.
A revolução nepalesa esta de volta. Desde domingo 2 de Maio, o Nepal está em greve geral por tempo indeterminado. A greve que parou o pais, atingiu o sector privado, a educação, saúde, turismo e transportes. A paralisação, dirigida pelo Partido Comunista do Nepal, de orientação maoista, exige a renúncia do actual primeiro-ministro, Madhav Kumar Nepal, e visa a constituição de um governo de unidade nacional encabeçado pelo PC do N e a redacção de uma nova Constituição. No primeiro dia da greve geral, os piquetes organizados pelo PC do N estiveram na vanguarda da paralisação principalmente em Katmandu, a capital dessa jovem república constituída após a queda da monarquia.
Os dirigentes do PC do N prometem não interromper a greve ate que as reivindicações sejam conquistadas.
A revolução nepalesa, que vem de longa data, havia derrubado a monarquia através de mobilizações de massa em 2006, levando à formação da Frente Popular, governo de unidade nacional, que dirigiu o pais até à sua ruptura - com a saída do PC do N do governo, devido a uma crise envolvendo os militares.
Ainda que a grande imprensa argumente que a paralisação tenha um tom festivo, no Nepal cerca de metade da população, de 30 milhões, vive em condições de miséria, sobrevivendo com pouco mais de um dólar por dia. É essa condição objectiva que faz com que a actual greve geral por tempo indeterminado se pareça com uma mobilização festiva.
No fundo, as massas nepalesas, que protagonizaram em 2006 uma revolução democrática, que está na origem da actual crise revolucionaria, mantém intacta as suas forças, protagonizando uma poderosa greve geral, sem necessidade de grandes confrontos de rua.