Aminetu Haidar já está em El Aiún

18 de dezembro 2009 - 16:30
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Aminetu Haidar à saída do hospital - Foto da Lusa

"Isto é uma vitória para o direito internacional, para a justiça internacional e para a causa saharauí", declarou a activista antes de partir para El Aiún. Aminetu Haidar regressou à sua terra.

Aminetu Haidar em greve de fome há 32 dias, fez estas declarações à comunicação social no próprio hospital, onde tinha sido internada durante a madrugada desta quinta-feira, e antes de sair em direcção ao aeroporto de Lanzarote. Agora já está em sua casa, em El Aaiún, no Sáhara Ocidental. Partiu do aeroporto ontem à noite, às 22h23 (hora das Canárias) num avião medicalizado enviado pelo Governo espanhol.

“A primeira coisa que vou fazer será beijar a minha mãe e os meus filhos”, disse Aminetu Haidar pouco antes de subir para o avião. A acompanhá-la também embarcaram a sua irmã Laila Haidar e o seu médico Martín de Guzmán. Foram transportados num avião fretado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), segundo as informações dadas à comunicação social pelo presidente da Federal Estatal de Instituições Solidárias com o Sahara de Espanha e membro da Plataforma de Apoio a Aminetu Haidar, Carmelo Ramírez.

Segundo Ramírez, o governo de Marrocos terá aceite o regresso da lutadora saharauí a El Aiún "sem condições". Haidar não terá que pedir perdão ao rei, nem reconhecer publicamente a nacionalidade marroquina, como os governantes de Marrocos exigiram durante os últimos 32 dias.

Segundo a comunicação social de Espanha, a possibilidade do regresso deu-se após intensos contactos diplomáticos entre União Europeia, Estados Unidos, França, Espanha e Marrocos.

Entretanto, o governo de Marrocos finalmente fora obrigado a reconhecer, pela voz do próprio ministro da Economia em Madrid, que a inaceitável situação de Aminetu Haidar se tornara um grande problema não só internacional, como até na opinião pública marroquina.

Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Miguel Moratinos revelou à comissão de relações exteriores do Congresso de deputados de Madrid que foi previamente informado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos de que Haidar ia ser expulsa para Espanha.

Nesta quinta-feira o Parlamento Europeu suspendeu o debate da situação de Aminetu, por proposta do líder do grupo parlamentar socialista, para evitar que fosse aprovada uma moção de condenação de Marrocos.

Aminetu Haidar teve de fazer 32 dias de greve da fome para voltar a casa. A vitória é em primeiro lugar a vitória da sua justa e dura luta. É também uma vitória do importante movimento de solidariedade internacional que se gerou no apoio à lutadora saharauí.

 

 

 

O presidente da Câmara dos Representantes marroquina em Lisboa, Mustapha Mansouri, que também é presidente do partido político Reagrupamento Nacional de Independentes, afirmou que Marrocos aceitou o regresso de Aminetu Haidar por razões humanitárias e porque a activista saharauí respeitou as regras vigentes no reino quando regressou.

Mas um dirigente da Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental, António Baptista da Silva, garantiu à Lusa que Aminetu Haidar, regressou à sua cidade natal de El Aaiún, sem ser forçada a preencher qualquer documento oficial na fronteira. Esta declaração contraria o que chamou de manobras de propaganda por parte de Marrocos que tem sugerido que a resistente saharauí terá preenchido todos os documentos exigidos e que afirma serem obrigatórios para entrar no país, nomeadamente o reconhecimento da nacionalidade marroquina.

Compreende-se assim que na questão política fundamental, Marrocos não mostra vontade de negociação e que mantém a sua postura intimidatória para com os activistas, uma vez que o representante marroquino aproveitou também para deixar o aviso: “Nenhum activista dos direitos humanos será inquietado pelas autoridades marroquinas caso cumpra a lei marroquina”.

As suas declarações foram feitas esta sexta-feira em Lisboa depois de um encontro com a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite e outros responsáveis do partido, que designou como “amigos do PSD”.

 

 


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