2 milhões protestam em Roma contra Berlusconi

25 de outubro 2008 - 18:57
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Manifestação em Roma, 25-10-2008. Foto do L'UnitáAs ruas de Roma foram ocupadas este sábado por mais de dois milhões de pessoas, que responderam ao apelo de protesto do Partido Democrático, de centro. "A Itália é um país melhor do que a direita que o está a governar", disse Walter Veltroni, líder do partido. O protesto ocorre num mês em que a Itália está ao rubro contra o seu governo, acusado, com cada vez mais frequência, de conduzir uma política tendente a uma ditadura.

 

O mês de Outubro tem sido de grande mobilização na Itália. Depois de uma manifestação convocada por vários partidos de esquerda, que reuniu 300 mil pessoas, e de uma grave geral, convocada pelos sindicatos de base e acompanhada pela esquerda, ter juntado meio milhão em manifestações por todo o país, hoje as ruas de Roma foram ocupadas por mais de 2 milhões de pessoas, que responderam à chamada ao protesto do Partido Democrático, força de centro que, em maioria na oposição, tem feito uma crítica muito envergonhada à política de Berlusconi.

Na última semana, foi a ministra Gelmini, titular da pasta da Educação, que esteve no centro da polémica. As suas medidas de restrição financeira, que materializam a vontade do Governo em acabar com a escola pública, levaram a uma série ininterrupta de manifestações, aulas de rua, ocupações de universidade e de escolas, em protesto contra um artigo do orçamento de estado que, na prática, impõe cortes gravíssimos às instituições,

Há anos que não se assistia a uma mobilização tão aguerrida em defesa da escola pública, num movimento que engloba estudantes, professores e trabalhadores, não só do ensino universitário como também da escola média e básica.

A reacção do poder não se fez esperar. No início da semana, Berlusconi acusava o movimento de estar em mãos de facínoras, acenando com a hipótese de repressão policial para acabar com as ocupações.

Aproveitando o clima de instabilidade, o Presidente da Câmara de Roma, um fascista assumido eleito nas listas do partido maioritário, pôs em prática a ameaça do seu chefe, enviando autoridades para desalojar alguns centros sociais que dão apoio à luta.

No entanto, a ameaça de reedição dos acontecimentos violentos de Génova, em 2001, levantou uma onda de críticas de todos os quadrantes políticos e sociais, bem como de múltiplas personalidades, obrigando o primeiro ministro italiano a vir a público desmentir as suas palavras, acusando a imprensa, que é controlada em parte pelo seu grupo financeiro, de distorcer o sentido das suas afirmações.

Mas a resposta mais importante à intimidação veio da rua: nos cortejos, os manifestantes passaram a gritar "non ho paura", título de filme de culto contra a violência, cuja tradução literal é "não tenho medo". Como quem diz, a luta continua!