Centenas de militares turcos atravessaram a fronteira do Norte do Iraque e penetraram em território curdo dois a três quilómetros, de acordo com a agência Reuters. Durante o fim-de-semana, aviões turcos bombardearam aldeias curdas na região. O anúncio da incursão surge no dia em que a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, chegou a Kirkuk, no Norte do Iraque, para uma visita de surpresa. De acordo com o diário Washington Post, os Estados Unidos estão a fornecer informações para auxiliar as acções militares turcas.
O governo iraquiano queixou-se de que pelo menos uma mulher civil morreu nos ataques aéreos, e disse que qualquer futura acção militar deveria ser coordenada com Bagdad. Por seu lado, um representante do presidente do governo regional curdo, Mahmud Barzani, disse condenar a incursão. "A Turquia quer transferir o problema para o território do Curdistão iraquiano."
A Turquia diz que as acções militares têm como objectivo combater as forças de guerrilha do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Jabbar Yawar, porta-voz das forças de segurança curdas, disse que os militares turcos "penetraram numa zona deserta onde não se encontrava nenhuma força iraquiana ou curda. Por agora não sabemos quantos são nem até onde conseguiram chegar".
Fontes do Pentágono disseram que os Estados Unidos instalaram um centro para trocar informações em Ancara, oferecendo às autoridades turcas imagens recolhidas por aviões não tripulados (drones) que voam sobre os redutos do PKK. "Os EUA estão a dar-lhes os alvos", disse a fonte, que explicou que os militares turcos decidem se actuam ou não e notificam os Estados Unidos da sua decisão.