Rússia reduz para um quarto observadores internacionais

01 de novembro 2007 - 12:45
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putin_osce.jpgA Comissão Eleitoral Russa decidiu convidar apenas 300 observadores internacionais - menos 900 do que em 2003 - para vigiar 95 mil mesas eleitorais, nas eleições legislativas que se realizam daqui a um mês, e que contam com um enorme favoritismo do movimento liderado por Putin. O mesmo Putin que na Cimeira Europa/Rússia convenceu Sócrates e os restantes líderes europeus a não falarem sobre direitos humanos devido à sua "generosidade" na decisão de convidar observadores internacionais.

A Comissão Eleitoral Central russa enviou ontem convites para apenas 300 a 400 observadores internacionais, 70 dos quais dirigidos ao Gabinete das Instituições Democráticas e de Direitos do Humanos (ODIHR, na sigla em inglês), o principal organismo de fiscalização da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Nas legislativas de 2003, o Governo russo aceitou a presença de 1200 observadores internacionais, 399 dos quais enviados por aquele gabinete, 88 em representação da Assembleia Parlamentar da OSCE e 28 do Conselho da Europa.

"Recebemos um convite de uma forma sem precedentes, porque impõe restrições sobre a amplitude da nossa missão de observação", disse à AFP a porta-voz da OSCE encarregada das eleições, Urdur Gunnarsdottir. Essas restrições "podem limitar seriamente a possibilidade de uma observação significativa, segundo a metodologia habitual que nós utilizamos para as missões de observação de eleições em larga escala", completou.

"São 400 observadores para 95.000 postos eleitorais. É uma aparência de observação. A Rússia bloqueia, de facto a missão dos observadores", criticou Lilia Chibanova, da ONG russa Golos, que acompanha o desenvolvimento das eleições no país desde 2000.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, garantiu que "não houve qualquer restrição que viole os compromissos da Rússia na OSCE".



Ao reduzir a dimensão das missões de observadores eleitorais, o Presidente russo, Vladimir Putin dá seguimento a uma campanha contra a organização europeia, a quem acusa de favorecer a visão do Ocidente nos países da antiga esfera soviética. A oposição do Governo russo acentuou-se depois da OSCE ter apontado falhas nas legislativas de 2003.

Em Novembro do ano seguinte, a Rússia denunciou a "parcialidade" da organização nas eleições presidenciais na vizinha Ucrânia que, após vários incidentes, deram a vitória ao pró-ocidental Victor Iuchenko. Já em 2006, Moscovo acusou a organização de se preocupar demasiado com os direitos humanos e defendeu a sua reforma.