Iraque: exército americano mata civis

21 de outubro 2007 - 18:25
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Iraquianos choram morte de familiares. Foto da ReutersO exército dos EUA declarou ter morto 49 "criminosos" numa operação lançada hoje no bairro de Sadr City, em Bagdad. No entanto, a polícia iraquiana afirma que nos confrontos iniciados durante a madrugada terão morrido 13 civis e ficado feridos outros 69. Números que parecem coincidir com a versão dos hospitais iraquianos que revelaram ter recebido 12 cadávares, dois dos quais de crianças, e 65 feridos, incluindo mulheres e crianças. Mesmo assim, o exército americano continua a insistir que "nenhum civil foi morto ou ferido nestes enfrentamentos".

Segundo o exército americano a operação visava capturar o chefe de um grupo de sequestradores ligados ao Irão, não adiantando se este foi ou capturado ou morto. O comunicado do exército afirma que "as forças da coligação realizaram combates intensos na manhã deste domingo e mataram 49 criminosos numa operação em Sadr City".



Antes, um porta-voz militar, o comandante Winfield Danielson, havia dito que a operação era contra "criminosos suspeitos de terem participado no sequestro de soldados da coligação entre Novembro de 2006 e Maio de 2007", mas não soube dizer em que contexto ocorreram os raptos.



O comunicado nega que tenham morrido civis durante a operação: "Os primeiros relatórios indicam que nenhum civil ou membro das forças da coligação foram mortos ou feridos nestes enfrentamentos". Um dos oficiais americanos acrescentou que "as forças da coligação actuam somente em caso de ameaças e fazendo o possível para proteger vidas inocentes".



Mas as informações veiculadas pelos hospitais e por alguns repórteres presentes no local desmentem a versão do exército dos EUA. Os hospitias receberam 12 cadávares, dois dos quais de crianças e mais de 60 feridos, incluindo mulheres e crianças. Também um fotógrafo da AFP no local viu o corpo de um menino que morreu no combate e outras crianças feridas, no Imam Ali Hospital.

Abdul-Mehdi al-Muteyri, um oficial ligado à milícia de Moqtada al-Sadr, classificou o ataque de hoje de "simplesmente bárbaro". "A maioria dos mortos e feridos foram mulheres, crianças e idosos, o que mostra a monstruosidade indiscriminada dos ataques nesta área sempre repleta de pessoas", acrescentou à Reuters Abdul-Mehdi al-Muteyri.