Mistura de oceanos para reduzir aquecimento global

27 de setembro 2007 - 13:17
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MarMisturar águas profundas dos oceanos com águas de superfície para reduzir o aquecimento global. Esta é a proposta de "tratamento de emergência" apresentada por James Lovelock, pai da teoria de Gaia, e Chris Rapley, director do Museu de Ciência de Londres, numa carta publicada na revista Nature. Os autores reconhecem que a proposta é apenas uma sugestão, e que não tem validação científica, mas alertam que o problema do aquecimento global é tão grave que é preciso tentar soluções radicais - mesmo que acabem por não funcionar.

A proposta é de construir condutas verticais de 100 a 200 metros e com 10 metros de largura que bombeariam as águas mais profundas, ricas em nutrientes, para a superfície, misturando-as com as águas superficiais. A multiplicação de algas à superfície, através da fotossíntese, pode absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, um dos gases com efeito de estufa responsáveis pelo sobreaquecimento do planeta. Além disso, as reacções químicas favoreceriam a formação de nuvens, ajudando a arrefecer o globo.

"Se não podemos curar o planeta directamente, talvez possamos ajudá-lo a curar-se ele mesmo", disse Chris Rapley "Acreditamos que não vamos conseguir salvar o planeta com as abordagens tradicionais, como o Protocolo de Quioto e as energias renováveis", observou James Lovelock à BBC News. Os dois cientistas duvidam que os planos actuais para reduzir as emissões consigam produzir efeitos atempadamente. Para Rapley, a proposta de mistura dos oceanos não é a resposta certa para o problema aquecimento global, mas permite ganhar tempo enquanto a sociedade desenvolve uma solução mais completa.

Na opinião de Brian Hoskins, professor de meteorologia da Universidade de Reading, a emenda pode ser pior que o soneto: "As incertezas sobre o resultado destas soluções são de uma magnitude superior às incertezas do impacto regional da emissão dos gases com efeito estufa", disse.