Mais de 500 detenções no Paquistão

04 de novembro 2007 - 16:16
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musharraf.jpgO Presidente do Paquistão decretou o Estado de Emergência no país. Desde sábado já se verificaram mais de 500 detenções e o primeiro ministro admitiu adiar a realização de eleições legislativas, previstas para Janeiro de 2008. A oposição considera que este é "o segundo golpe de Estado" de Musharraf. Centenas de detenções estão a ser feitas no Paquistão desde a madrugada de domingo, na sequência do Estado de Emergência decretado no sábado. As detenções ocorreram em Islamabad, Karachi, Peshawar, Quetta e Lahore. Foram também interrompidas as transmissões televisivas dos canais privados.



Musharraf justificou o Estado de Emergência com o aumento da violência extremista e a interferência do poder judicial na política do governo. Com esta medida, o presidente  paquistanês assume o controle do poder judicial, num momento em que o Supremo Tribunal do Paquistão iria pronunciar-se sobre a legalidade de uma recandidatura de Musharraf à presidência.



Entre os detidos encontram-se líderes políticos, activistas sociais e antigos altos funcionários do país, como Hamid Gul (antigo chefe dos serviços secretos paquistaneses durante o governo de Bhutto, conhecido pelas suas posições críticas em relação aos Estados Unidos) ou Javid Hashmi (presidente interino da Liga Muçulmana do Paquistão). Pouco antes da sua detenção, Hashmi tinha declarado que Musharraf se tinha apoderado do poder judicial "para salvar o seu próprio poder ilegítimo". A Liga Muçulmana do Paquistão é dirigida desde o exílio pelo ex - primeiro ministro Nawaz Sharif.



A ex - primeira ministra Benazir Bhutto, que recentemente regressara do exílio, também criticou Musharraf, considerando esta medida como uma desnecessária "mini-lei marcial".