Um relatório da Royal Society, publicado sexta-feira, refere que o plutónio armazenado na Grã-Bretanha duplicou na última década. O plutónio acumulado, mais de 100 toneladas, é suficiente para fabricar 17000 bombas nucleares, semelhantes à que destruiu a cidade japonesa de Nagasaki em 1945. O plutónio, que provém principalmente do urânio reprocessado usado nas centrais nucleares, tem sido armazenado "sem uma estratégia para a sua eliminação ou para eventual uso futuro".
A Royal Society alerta ainda para que o governo britânico mude as condições "inaceitáveis" em que o plutónio está armazenado na central de Sellafield, no noroeste da Inglaterra, que consideram vulnerável a um ataque terrorista".
A Royal Society já tinha alertado há nove anos para os riscos do plutónio armazenado em Sellafield, mas o governo não fez nada até agora, segundo denuncia o relatório.
Segundo o jornal Guardian, a quantidade de plutónio armazenada em Sellafield é de cerca de 103 toneladas.
Goeffrey Boulton, presidente da comissão que elaborou o relatório declarou: "A bomba atómica americana que destruiu Nagasaki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, precisou de pouco mais de seis quilos de plutónio. O Reino Unido acumula milhares de vezes essa quantidade. É preciso garantir que esse material não caia em mãos erradas".
A revista "New Scientist" alertou, entretanto, na passada quinta-feira, que o órgão de supervisão do governo britânico detectou cerca de mil problemas na fábrica de bombas atómicas do Ministério da Defesa situada em Burghfield, no condado de Berkshire.