O Supremo Tribunal de Israel deu razão à aldeia palestiniana de Bilin, determinando que o governo e o exército de Israel alterem o traçado do muro, que tinha confiscado 200 hectares de terra da aldeia palestiniana, com o pretexto de serem vitais para a segurança do colonato de Modiin Ilit.
Michael Sfard, advogado israelita de Bilin, afirmou que a redefinição do traçado, decidida pelo Supremo Tribunal permitirá aos habitantes recuperar pelo menos cem hectares de terras confiscadas.
O presidente da Câmara de Bilin, Ahmed Issa Abdallah Yassin, festejou a "vitória" e afirmou que a acção ira prosseguir "até à eliminação do muro".
Todas as sextas feiras os 200 habitantes de Bilin, juntamente com israelitas e estrangeiros solidários, manifestam-se contra o muro, desde há dois anos.
O traçado do muro anexou as terras cultivadas aos colonatos de Modiin e Matitiahu e bloqueou o acesso dos palestinianos às suas propriedades, obrigando os agricultores palestinianos a atravessar uma barreira de controlo, que fica fechada durante várias horas, para chegar às suas plantações.
A juíza Dorit Beinish, presidente do Supremo Tribunal, considerou que o traçado do muro “causa danos desproporcionais aos habitantes” de Bilin e que “é óbvio que foi influenciado pelos planos de ampliar os colonatos de Modiin e Matitiahu”.
A juíza determinou que "o Estado deve reconsiderar o traçado” do muro em Bilin, de maneira a que “prejudique menos os habitantes da aldeia e deixe, na medida do possível, as terras cultivadas do lado leste da cerca".
A decisão do Supremo Tribunal abre um precedente que pode levar a que dezenas de aldeias palestinianas, que foram afectadas de forma semelhante, também recorram para os tribunais de Israel.
Em 2004, o Tribunal Internacional de Haia, a pedido da Assembleia-geral das Nações Unidas, aprovou uma sentença classificando o muro que Israel tem vindo a construir, e que terá no final 720 km, como ilegal.