Bush já admite redução de tropas no Iraque

04 de setembro 2007 - 11:41
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George W. BushPela primeira vez, durante a visita-surpresa ao Iraque de ontem, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, admitiu que a ideia de reduzir o número de tropas americanas no Iraque (160 mil, actualmente) já não é uma questão tabu. Antes, Bush sempre se recusara a considerar sequer a questão. Em Londres, o primeiro-ministro Gordon Brown afirmou que a retirada de 500 militares britânicos do Palácio de Bassorá, onde diariamente eram bombardeados por tiros de morteiro e rockets, "não foi uma derrota".

 

Bush falava aos repórteres a bordo do Air Force One, de volta da província de Anbar, no Iraque, que visitara inesperadamente, e a caminho de Sidney, Austrália, onde vai participar da cimeira Ásia-Pacífico. "O primeiro momento em que haverá alguma discussão sobre o número de tropas será quando o general Petraeus e o embaixador Crocker voltarem para Washington", disse Bush, referindo-se ao seu esperado testemunho diante do Congresso no próximo dia 10. "Qualquer anúncio que vá num ou noutro sentido será feito depois de eles terem apresentado o relatório."

Bush insistiu que qualquer decisão será baseada em julgamentos militares e não em decisões políticas, mas disse que a situação que encontrou na província de Anbar o encorajou a especular sobre perspectivas hipotéticas de redução de tropas.

Situada no oeste iraquiano, a província de Anbar é controlada pela resistência sunita e é, desde há meses, motivo de orgulho do Exército americano. Mas na verdade, observa o diário britânico The Independent, a melhoria da posição americana em Anbar nada tem a ver com a ofensiva por segurança nem com o aumento de 30 mil soldados americanos no Iraque decidido no início do ano. A mudança é o resultado de uma cisão do movimento de guerrilha sunita com a al-Qaeda.

Curiosamente, os EUA começaram a armar as milícias sunitas que não respondem ao governo de Bagdad, ao mesmo tempo que pressionam o governo de al-Maliki para controlar as milícias xiitas, especialmente o Exército Mehdi de Moqtada al-Sadr.

Os democratas americanos, por seu lado, acusam Bush de só falar em progressos numa área específica (e pouco importante), ao mesmo tempo que ignora os fracassos do governo de Nuri al-Maliki na promoção da reconciliação nacional.