Iraque: tropas britânicas deixam Bassorá

03 de setembro 2007 - 14:28
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Soldado britânicoTerminou esta madrugada a retirada dos 500 soldados britânicos da cidade de Bassorá, no Iraque. Enquanto o primeiro-ministro britânico sublinhou que se trata de uma operação planificada e não de uma retirada, a milícia xiita de Moqtada al-Sadr já veio reclamar vitória. Segunda cidade do Iraque, com dois milhões de habitantes e principal via de exportação do petróleo iraquiano, Bassorá tem sido diariamente fustigada com rockets e conflitos diversos, levando os britânicos a abandonar pela primeira vez esta zona estratégica: uma situação que já levou a uma troca de acusações entre responsáveis dos EUA e do Reino Unido. Desde a ocupação do Iraque, iniciada em 2003, já morreram 159 soldados britânicos.

 

Segundo a Agência Reuters a maior parte dos habitantes de Bassorá parece estar satisfeita com a retirada das tropas britânicas. "Não pode imaginar o feliz que estou agora que as tropas britânicas abandonaram o palácio. Era um dos nossos desejos" declarou à Reuters Kareem Jamee, um civil que vive junto ao palácio.

Instalados nesta localidade maioritariamente xiita desde Março de 2003, os 500 soldados britânicos foram destacados para um aeroporto a 25 quilómetros da cidade, juntando-se aos 5000 efectivos do Reino Unido, todos concentrados nesta base aérea.

Em Londres, o primeiro-ministro Gordon Brown sublinhou esta manhã tratar-se de uma operação planificada e não de uma retirada, garantindo que as tropas britânicas «respeitarão os seus compromissos» no Iraque.



Mas muitos críticos afirmam que a retirada se deve "à situação insustentável que se vivia em Bassorá", com ataques diários de rockets - 600 nos últimos quatro meses.



Alguns membros da milícia xiita de Moqtada al-Sadr (exército Mehdi) afirmaram que esta retirada é uma vitória sua e uma derrota para os Britânicos. "Eles estavam numa situação catastrófica devido aos nossos ataques" disse Abu Safaa, da milícia Mehdi.



A situação em Bassorá já tinha sido motivo de troca de acusações entre responsáveis americanos e britânicos.

No dia 22 de agosto, o general americano da reserva Jack Keane, ex-chefe do Estado Maior adjunto do Exército americano, havia anunciado a "frustração" dos Estados Unidos com a deterioração da segurança em Bassorá. Os ministros britânicos da Defesa e dos Negócios estrangeiros, Des Browne e David Miliband, responderam a essas acusações qualificando-as de "críticas deslocadas". "A questão que algumas pessoas levantam é: as tropas britânicas fracassaram em Bassorá? A resposta é não", afirmaram então ao Washington Post

Entretanto, dois ex-generais britânicos criticaram duramente a forma com os Estados Unidos têm gerido a guerra no Iraque. "Não há nenhuma dúvida de que o plano americano para o pós-guerra está cheio de falhas e muitos de nós o pressentimos na época", declarou ao Sunday Mirror o general Tim Cross, de 59 anos, o militar de mais alta patente a ocupar-se do planeamento do país na era pós-Saddam Hussein.

O general da reserva Sir Mike Jackson, comandante do exército britânico no momento da invasão em 2003, considerou que a política americana no Iraque estava "em decadência intelectual", segundo excertos da sua autobiografia publicados no sábado pelo Daily Telegraph.

Desde a invasão do Iraque em março de 2003, 159 soldados britânicos morreram no país.