Grécia: manifestantes culpam governo

30 de agosto 2007 - 13:00
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Manifestação em Atenas. Foto da SicRespondendo a um apelo por sms e pela internet, mais de 10 mil pessoas compareceram na manfestação em Atenas para protestar contra a "inércia e ineficiência" do governo no combate aos incêndios que têm devastado a Grécia e que já provocaram 63 mortes. No total, arderam 275 mil hectares, três mil pessoas ficaram sem casa e as autoridades apontam para prejuízos na ordem dos 1.200 milhões de euros. Entretanto, a intensidade dos fogos diminuiu, graças à descida das temperauras e ao abrandamento dos ventos, mas para o próximo fim de semana a situação pode agravar-se com uma nova subida da temperatura. O partido do governo continua a descer nas sondagens para as eleições legislativas, que se realizam a 16 de Setembro.

Mais de 10 mil pessoas, na sua maioria jovens, concentraram-se ontem na Praça Sintagma, no centro de Atenas, diante do Parlamento, para protestar contra a "inércia e ineficiência" do governo do premier Costas Karamanlis para enfrentar os incêndios que há seis dias atingem o território grego e já causaram pelo menos 63 mortes.

Este protesto ocorreu a apenas duas semanas das eleições legislativas na Grécia. Desgastado pelo impacto dos incêndios, o partido do primeiro-ministro Costas Karamanlis (Nova Democracia), que antes desta crise estava confiante na vitória nas legislativas, aparece apenas dois pontos à frente do Partido Socialista Grego (PASOK), principal formação da oposição.

Os manifestantes vieram de vários pontos do país, estavam vestidos de preto e gritaram palavras de ordem contra o governo, exibindo cartazes com frases como "diz não à destruição da floresta". Apesar da polícia ter carregado sobre alguns amnifestantes, não houve registo de feridos.



"É o único recurso que temos: protestar na rua. O próximo passo será mandar cinza nas urnas", disse Elefteria Kitsi, de 28 anos e funcionária pública. "Vivemos um novo processo de deslocamento", afirmou a mãe de Elefteria, Penelope, de 58 anos. "A minha geração recebeu terras calcinadas depois da segunda guerra mundial e da guerra civil. Agora entregamos mais cinzas às novas gerações".

Alguns manifestantes colcoacam a hipótese dos incêndios fazerem parte de um plano de conspiração de especuladores de terra, uma tese que esteve presente em muitos blogs e e-mails.

Entretanto, a intensidade dos fogos diminuiu, graças à descida das temperauras e ao abrandamento dos ventos. Dois violentos incêndios estão, mesmo assim, a ameaçar as populações do Peloponeso e da ilha de Evia. Para o próximo fim-de-semana é esperada uma nova subida das temperaturas, o que aumenta o risco de novos incêndios.

Os balanços provisórios da autoridades apontam para prejuízos na ordem dos 1.200 milhões de Euros. Há três mil pessoas sem casa e milhares de hectares de terrenos cultivados destruídos.