A Bolsa de Tóquio encerrou hoje de manhã com a maior queda dos últimos anos sete anos, ao perder 874,81 pontos (5,42 por cento relativamente ao encerramento de quinta-feira). Foi o culminar de um dia de grandes perdas nos mercados bolsistas em todo o mundo, ao qual já há quem chame de "minicrash". Lisboa teve a maior quebra desde 1998. A crise foi detonada pelos receios criados pela crise no mercado de crédito hipotecário de alto risco nos Estados Unidos da América. A brutal injecção de dinheiro por parte dos bancos centrais nos sistema monetário nos últimos dias não está a ter o esperado efeito de acalmia. Só hoje, a Reserva Federal norte-americana injectou mais 17 mil milhões de dólares, e o Banco do Japão anunciou que vai injectar 1.200 mil milhões de ienes (oito mil milhões de euros) no mercado monetário para fazer frente à falta de liquidez. "O cash (dinheiro) não evita o medo do crash", diz o diário francês Libération.
"Até ontem", observa o diário britânico The Independent, "era possível acreditar que os mercados estavam a passar por uma 'correcção'. Esse termo parece agora grotescamente eufemístico". A Bolsa britânica perdeu ontem 4,1% do seu valor, a maior queda desde Março de 2003.
A Bolsa de Paris desvalorizou-se em 3,26% e o seu nível actual está 4,99% abaixo do do início deste ano. Em Frankfurt, as perdas foram de 2,36%, mas ainda está 10,20% acima do patamar do começo de 2007.
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse em entrevista ao Wall Street Journal que a turbulência actual nas Bolsas deve afectar o crescimento americano, mas sem provocar recessão. Para ele, a economia e os mercados do país estão "suficientemente fortes para absorver as perdas".
As bolsas americanas recuperaram-se no final do dia de ontem.
A crise, explica o Le Monde, começou no fim de 2006 nos Estados Unidos devido às dificuldades experimentadas pelas instituições financeiras especializadas na distribuição de créditos imobiliários de risco, os chamados subprime mortgage, empréstimos a pessoas de baixos rendimentos ou que têm um histórico de não cumprir os seus compromissos financeiros.
Muitas destas pessoas viram-se em dificuldades de pagar os empréstimos devido à alta das taxas de juros e à queda dos preços das casas. Estas quebras de pagamento provocaram, por sua vez, as dificuldades nos estabelecimentos que tinham feito os empréstimos. Estes tinham "titularizado" demais estes créditos, isto é, tinham-nos transformado em obrigações vendidas a investidores do mundo inteiro, que se viram presos na armadilha. Foi o caso do banco francês BNP Paribas, que anunciou, em 9 de Agosto, o congelamento do seu fundo Sicav, que tinham investido maciçamente em títulos ligados a este mercado de risco americano.
O anúncio do BNP Paribas provocou uma brutal quebra de confiança, com os bancos a hesitar em fazer empréstimos entre eles, o que fez aumentar as taxas de juros. A crise do mercado imobiliário transformou-se assim numa crise monetária e bancária.
A perdas do sector dos créditos imobiliários de risco levaram também os grandes investidores a retirar-se de sectores do mercado onde tinham realizado mais-valias, como as bolsas.
O resultado foi a queda das bolsas e também dos preços das matérias-primas. O recuo destes mercados provocou novas quedas, num efeito de bola de neve.
Leia também: