Os Estados Unidos anunciaram oficialmente um plano para vender armas e veículos de guerra a Israel e outros países árabes, em negociações que vão atingir a cifra de 63 mil milhões de dólares. De imediato, organizações de direitos humanos, congressistas dos EUA e analistas europeus avaliaram que a medida é um passo decisivo rumo a uma nova corrida armamentista na região para ameaçar e intimidar o Irão.
Publicado originalmente no La Jornada
Minutos antes de empreender uma viagem pelo Médio Oriente que tem o objectivo de conseguir apoios regionais à guerra do Iraque e contra-atacar a influência do Irão na região, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, confirmou a informação que já havia sido publicada pela imprensa norte-americana.
"Para apoiar o nosso permanente compromisso diplomático na região, preparamos novos contratos de assistência (militar) com os países do golfo (Pérsico), Israel e Egipto", disse Rice, que viajou junto ao secretário de Defensa, Robert Gates. Esta acção "vai permitir apoiar os partidários da moderação e uma estratégia mais ampla destinada a contra-atacar as influências negativas da Al Qaeda, do Hezbollah, da Síria e do Irão", complementou Rice.
Crescimento na receita
Somente o pacote para Israel, para os próximos dez anos, ficará em 30 mil milhões de dólares. Se o Congresso dos Estados Unidos aprovar a negociação, representará um aumento de 30% em comparação com as vendas registadas nos dez anos anteriores.
Fontes do Pentágono disseram que as aquisições de Tel Aviv têm a finalidade de manter o alto nível tecnológico dos seus armamentos e equipamentos militares, assim como ressarcir as perdas durante a invasão ao Líbano em 2006.
No caso particular de Egipto, Washington iniciou negociações sobre a renovação de um acordo de "assistência" militar por 13 mil milhões de dólares nos próximos dez anos, informou a funcionária da Casa Branca.
Rice, entretanto, não ofereceu detalhes sobre o tipo de armamento que Washington poderá colocar à disposição de Cairo, mas afirmou que "modernizar mais as forças armadas sauditas e egípcias e aumentar a sua capacidade de intervenção ajudará os nossos aliados a enfrentar a ameaça do radicalismo e a fortalecer os seus respectivos papéis como líderes regionais".
Já para a Arábia Saudita serão 20 mil milhões de dólares, segundo um alto funcionário que viajou na comitiva de Rice e Gates. "Essa é a base para a negociação", informou, sob anonimato. "Os outros (países do Golfo Pérsico) ainda não sabemos", acrescentou.
A Arábia Saudita terá à sua disposição sofisticadas peças fabricadas por empresas americanas, tais como bombas guiadas - as primeiras à disposição de um país árabe -, aviões, caças-bombardeiros, embarcações e sistemas navais.
Antes de consolidar na semana passada o acordo com Riade, fontes governamentais americanas acusaram o reino de fazer pouco para impedir a incursão de combatentes islâmicos no território iraquiano. "A Arábia Saudita não faz tudo o que poderia para nos ajudar no Iraque", disse o representante nas Nações Unidas e ex-embaixador em Bagdad, Zalmay Khalilzad.
Para finalizar a venda, Washington impôs a condição aos sauditas de que os equipamentos de guerra estejam limitados em alcance e tamanho para não ameaçarem a supremacia militar de Israel na região.
De acordo com o jornal britânico The Independent, a Casa Branca espera que o pacto evite a repetição de conflitos com o Congresso em torno da relação com Arábia Saudita, o que propiciou que Riad se abastecesse de armas via Grã-Bretanha.
A imprensa norte-americana não mencionou se Bahrein, Kuwait, Oman, Qatar e os Emirados Árabes Unidos também poderiam ter direito aos mesmos equipamentos de guerra que a Arábia Saudita. De acordo com as declarações do alto funcionário que acompanha Gates e Rice no Médio Oriente, esses países devem definir com os Estados Unidos o montante a ser negociado.