Pelo menos 250 pessoas morreram, na terça-feira, na sequência de quatro atentados suicidas no Norte do Iraque. Há mais de 300 feridos, e as equipas de resgate ainda procuram sobreviventes entre os escombros. Os atentados tiveram como alvo membros da seita pré-islâmica Yazidi e arrasaram pelo menos 70 casas. Foram usados camiões-bomba e atingidas as povoações al-Khataniyah e al-Adnaniyah, numa zona a apenas dez quilómetros da cidade de Mossul. Foi o mais mortífero atentado desde o início da guerra.
A comunidade yazidi é estimada em cerca de 500 mil pessoas: Trata-se de uma minoria curda que reside no Norte do Iraque, em particular região de Mossul, e na vizinha Síria.
Os yazidi afirmam-se discriminados pelas autoridades políticas e religiosas iraquianas, por venerarem uma figura angélica, Melek Taus, que cristãos e muçulmanos comparam a Satã, o que os leva muitas vezes a serem acusados de veneradores do diabo. Três deputados dos 275 do Parlamento iraquiano pertencem a esta minoria.
Os conflitos com a seita Yazidi começaram quando no dia 7 de Abril uma multidão yazidi apedrejou até à morte uma jovem de 17 anos, também ela yazidi, por esta se ter casado com um jovem muçulmano, um acto considerado uma ofensa para os valores conservadores da seita. O apedrejamento foi filmado e divulgado pelo mundo inteiro, causando uma polémica mundial e a condenação da comunidade internacional.
A 23 de Abril, homens armados tinham interceptado um autocarro que transportava membros desta comunidade religiosa, tendo sido mortos 23 yazidis.
Porta-vozes do exército norte-americano disseram considerar a Al-Qaeda a principal suspeita de ter organizado o ataque. O atentado é mais um sério golpe nos esforços dos EUA de conseguirem a pacificação do país, poucas semanas antes data em que o general David Petraeus e o embaixador americano Ryan Crocker terão de divulgar um relatório sobre a situação do Iraque, que será chave para o debate que será travado no Congresso dos EUA sobre o início da retirada das tropas americanas do Iraque.