Karl Rove, considerado o arquitecto da presidência de George W. Bush e principal estratega republicano da última década, anunciou que vai renunciar ao cargo de principal conselheiro político do presidente até o final de Agosto. "Somos amigos há muito tempo e vamos continuar amigos", disse o presidente norte-americano, ao lado do seu ainda conselheiro, nos jardins da Casa Branca. Rove alegou questões familiares para a renúncia, mas as pressões que vinha a sofrer ultimamente por parte da maioria democrata do Congresso estavam a tornar a sua situação insustentável.
Rove, de 56 anos, anunciara a intenção de deixar o governo numa entrevista ao jornal The Wall Street Journal publicada no sábado. Trabalhava com o presidente desde 1993, quando George W. Bush concorreu pela primeira vez ao governo do Estado do Texas.
Entre as várias polémicas em que se envolveu está a fuga de informação relativa à identidade da agente da CIA Valerie Plane. Karl Rove foi alvo de críticas e acusações durante a investigação criminal a respeito da fuga de informação do nome da agente. Testemunhou várias vezes diante de um júri, durante as investigações que levaram à condenação de Lewis "Scooter" Libby por falso testemunho e obstrução da justiça. Segundo Plame, a Casa Branca pretendia desacreditar o seu marido por ser crítico da Guerra do Iraque. O colunista Robert Novak, que revelou o nome de Plame numa coluna publicada em Julho de 2003, chegou a afirmar que Rove era um dos dois funcionários do governo que revelaram o nome da agente. Mas o conselheiro do presidente nunca foi acusado formalmente de qualquer crime e o seu envolvimento neste caso nunca ficou inteiramente esclarecido.
Várias responsáveis da administração republicana afastaram-se desde Novembro, altura em que os democratas chegaram ao Congresso. O conselheiro Dan Bartlett o director do Orçamento, Rob Portman, a conselheira jurídica Harriet Miers e a directora política Sara Taylor estão entre os que pediram para sair.
Segundo o Washington Post, a saída de Rove põe fim a uma era na política republicana, a conclusão de 14 anos que começaram quando Rove foi chamado para conselheiro de Bush pai na Casa Branca, e depois orientou o filho na candidatura ao governo do Texas e à presidência da República. "Neste percurso, Rove tornou-se o mais proeminente estratega da sua geração e uma bête noire para os liberais e mesmo para alguns críticos conservadores", diz o jornal.
A influência de Rove foi muito além da estratégia eleitoral, chegando à elaboração de várias políticas, como a proposta de redução de impostos do primeiro mandato de Bush. "Num plano mais geral, ele deu o enquadramento histórico e intelectual para a presidência Bush e esperou usá-lo para abrir uma nova era de domínio político republicano, um projecto que hoje parece potencialmente prejudicado pela impopularidade tanto do presidente quanto da guerra do Iraque", observa o Post.
Rove disse que permanece confiante de que Bush vai recuperar politicamente, apesar do seu baixo índice de aprovação. "Ele vai voltar a subir nas sondagens", disse. E afirmou-se confiante de que os republicanos vão conseguir manter a Casa Branca. Para ele, os democratas vão nomear candidata a senadora Hillary Rodham Clinton, mas os republicanos têm "muito boas hipóteses de derrotá-la".