Israel, apoiado pelos EUA, declara Gaza “território inimigo”

20 de setembro 2007 - 10:37
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Jerusalém, 19 de Setembro de 2007, Condoleeza com Gabi Ashkenazi e Ehud Barak – Foto da LusaO gabinete de segurança de Israel declarou a Faixa de Gaza “território inimigo” e o Hamas uma "organização terrorista". A decisão, tomada nesta quarta feira, permite a Israel cortar o fornecimento de água, electricidade e combustível à faixa de Gaza. Condoleeza Rice, secretária de Estado dos EUA, que se encontrava em Israel, apoiou a declaração do gabinete israelita.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, apelou a Israel a que reveja a decisão, considerando-a contrária às obrigações do Estado de Israel para com os civis, à luz do direito internacional. O director executivo, da ONG Oxfam Internacional, Jeremy Hobbs, considerou que a decisão israelita é uma “punição colectiva”.

Israel tomou esta decisão na sequência de um ataque no passado dia 11 de Setembro, quando dois rockets lançados de Gaza feriram 67 soldados.

Por proposta do ministro da Defesa, Ehud Barak, o gabinete de segurança de Israel declarou a Faixa de Gaza "território inimigo". Esta decisão autoriza o corte de água e electricidade e as declarações de Barak, dão a entender que poderá ser seguida por uma invasão militar à Faixa de Gaza. "O objectivo é enfraquecer o Hamas", disse ele.

No dia da decisão tomada pelo gabinete de segurança de Israel, quarta-feira, a secretária de Estado dos EUA Condoleeza Rice estava em Israel e encontrou-se com Ehud Barak. À comunicação social, Condoleeza Rice declarou que o "Hamas é uma entidade hostil também para os Estados Unidos".

O porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, em resposta à decisão israelita, afirmou "É uma declaração de guerra e dá continuidade às acções sionistas criminosas e terroristas contra o nosso povo".

O primeiro-ministro israelita Ehud Olmert declarou, em jeito de justificação, que as medidas contra Gaza não visam causar danos humanitários. Mas o secretário-geral da ONU Ban Ki Moon considerou que "uma medida destas será contrária às obrigações de Israel em relação à população civil à luz do direito humanitário internacional e dos Direitos do Homem" e afirmou que está muito preocupado com a decisão de Israel.

O director da ONG Oxfam Internacional, Jeremy Hobbs, disse que "reduzir o abastecimento de combustível ao mínimo apenas aumenta o sofrimento de 1,5 milhões de pessoas em Gaza e representa uma punição colectiva".

Por sua vez, o porta-voz do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, que se deverá encontrar nesta quinta feira com Condoleeza Rice, considerou que "a decisão do governo israelita faz pagar o povo palestiniano por actos com os quais nada tem a ver e dos quais não é responsável", numa alusão aos ataques feitos com rockets contra território israelita, a partir da faixa de Gaza.

Esta declaração de Israel surge, aliás, 8 dias após um ataque, reivindicado pela Jihad Islâmica, com dois rockets, que feriu 67 soldados israelitas (veja notícia no esquerda.net).