Integrantes do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro) tentaram sem sucesso impedir na Justiça a exibição do filme "Tropa de Elite", do realizador brasileiro José Padilha, que estreia quinta-feira no Festival de Cinema do Rio de Janeiro. O filme é uma denúncia da corrupção que grassa na Polícia Militar do Rio de Janeiro e da violência usada pelo Bope, um esquadrão de elite que sempre que entra nas favelas provoca mortes. Coincidentemente, ontem a Polícia Militar do Rio deteve 52 agentes acusados de envolvimento em tráfico de droga, formação de quadrilha e corrupção.
O filme de José Padilha baseia-se em "Elite da Tropa", livro escrito pelo sociólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, pelo capitão do Bope André Batista e pelo ex-polícia Rodrigo Pimentel. O batalhão é retratado como uma máquina de matar. O livro mostra também como a fama de impoluto que o Bope ostentou na maior parte de seus 28 anos, acabou destruída também por casos de corrupção. É baseado em histórias reais, mas usa nomes fictícios. Segundo Luiz Eduardo Soares, caçar as verdadeiras identidades dos personagens será procurar "agulha no palheiro".
José Padilha começou a filmar "Tropa de Elite" originalmente como um projeto de documentário, mas o realizador converteu-o em ficção quando concluiu que o "filme que queria fazer não era exequível como documentário". Segundo Padilha, "policiais sinceros não estavam dispostos a falar em frente às câmaras, com medo de retaliações". Padilha diz que o filme mostra "a forma pela qual nossas instituições policiais transformam quem tenta fazer parte delas".
A expectativa criada em torno de "Tropa de Elite" foi tanta, que o próprio Batalhão tentou impedir a sua exibição no cinema, alegando que a obra "ataca a corporação e viola a honra, dignidade e até mesmo a integridade física dos policiais". Mas a juíza da 1ª Vara Cível do Rio Flávia de Almeida Viveiros de Castro não deu provimento à acção, alegando que "não existem ataques às instituições. As críticas feitas (o discurso do personagem principal várias vezes o refere) são ao sistema. E não há conceito mais aberto, mais indeterminado do que este", disse.
Entretanto, uma cópia pirata, inacabada, circula já na Internet e em DVD entre os vendedores ambulantes do Rio de Janeiro. Padilha alertou que se trata de uma grosseira violação dos direitos de autor, e que as pessoas que compararam a cópia que já é sucesso de vendas levaram "gato por lebre", porque a versão do DVD está inacabada.
José Padilha é o realizador de "Ônibus 174", um documentário feito em torno de um sequestro de um onibus ocorrido em 12 de Junho de 2000, em pleno dia, no centro do Rio de Janeiro praticado por um sobrevivente do "massacre da Candelária", quando um esquadrão da morte da polícia matou oito crianças de rua.
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Entrevista com o ex-polícia e guionista do filme Rodrigo Pimentel no site do Globo