"Entristece-me que seja politicamente inconveniente reconhecer o que todo o Mundo sabe: que a guerra do Iraque é sobretudo por causa do petróleo", afirma Alan Greenspan, o ex-presidente da Reserva Federal (Fed), banco central dos Estados Unidos.
Greenspan faz esta afirmação num livro de memórias com o título "The Age of turbulence: adventures in a new World" (A Era das turbulências: aventuras num Novo Mundo), que lança nesta segunda-feira.
Alan Greenspan surpreendeu pelo tom das suas críticas a George W. Bush, sendo um republicano, o mesmo partido do presidente dos EUA, e um acérrimo defensor da ortodoxia económica dominante.
Além da guerra, Greenspan critica também a actual administração americana por causa da política fiscal, que considera irresponsável por ter causado um crescimento "alarmante" do défice público.
Alan Greenspan, foi presidente da Fed durante 18 anos e deixou o cargo em Fevereiro de 2006. O seu livro de memórias começa pela crise económica de 1929, quando ainda era uma criança - tem actualmente 81 anos, e aborda sobretudo os mercados e a globalização, mas fala também dos presidentes americanos com quem trabalhou.
Sobre George W. Bush, ele diz que é um presidente que põe a ideologia à frente das promessas eleitorais e critica o crescimento exponencial do défice público americano durante os seus mandatos. Quando Bush chegou a presidente as contas públicas tinham saldo positivo e três anos depois o défice atingia o recorde de 413 mil milhões de dólares (cerca de 298 mil milhões de euros).
Sobre a invasão do Iraque Greenspan afirma ainda: "Qualquer que fosse a angústia pública com as armas de destruição maciça, as autoridades norte-americanas e britânicas estavam também preocupadas com a violência numa área que possui um recurso indispensável para o funcionamento da economia mundial".