O plano anunciado ontem à noite por Bush evita a palavra "retirada", mas esta é a primeira vez desde o início da guerra que há um plano de redução de tropas. Ainda assim, para além destes 6000 soldados que sairão do Iraque até ao Natal, está previsto que até Julho regressem a casa cerca de 18 mil soldados, permanecendo no terreno mais de 130 mil. Alguns militares dizem que esta opção era inevitável, a menos que a Casa Branca quisesse prolongar as missões por mais de quinze meses, o que seria uma medida muito impopular.
Na sua comunicação ao país via televisão, Bush chamou a este plano um "regresso bem sucedido", dizendo que "quantos mais êxitos alcançarmos, mais tropas poderão regressar a casa". No entanto, também acrescentou que a presença militar no Iraque se deve prolongar bem para além do seu mandato.
A oposição democrata criticou esta posição de Bush, que vai no seguimento das recomendações do general David Petraeus que comanda os militares dos EUA no Iraque. Para os democratas, o anúncio de Bush não é uma mudança de posição já que, a cumprirem-se as promessas do presidente, chegaremos a Julho de 2008 com o mesmo número de tropas no Iraque de Janeiro de 2007. Isso mesmo deverão dizer no debate que o Senado vai acolher na próxima semana, em que os democratas apostam tudo numa maioria que aprove legislação para concretizar a mudança de política quanto ao Iraque. No entanto, quer as palavras de Bush quer o relatório do general Petraeus podem evitar que essa maioria possa realmente existir para obter uma viragem drástica na política de ocupação.
A imprensa norte-americana registou no discurso de Bush uma visão ainda mais optimista que a do próprio general Petraeus. "A vida normal está a começar a voltar ao Iraque", disse o presidente. A aliança entre grupos sunitas e o governo de al-Maliki, já sublinhada pelo relatório Petraeus como um dos factores para a diminuição da violência sectária, foi apresentado por Bush como um dos trunfos da sua estratégia de aumentar a presença militar no início deste ano. Mas ontem mesmo foi assassinado Abu Risha, o líder duma facção sunita aliada dos norte-americanos que tinha sido fotografado a apertar a mão de Bush na visita-surpresa ao Iraque. Abu Risha foi o sexto líder das comunidades sunitas da província de Anbar, que combatem os jihadistas supostamente ligados à al-Qaeda, a ser assassinado nos últimos quatro meses.