Com um orçamento do "terceiro mundo" o sistema de saúde cubano consegue melhores resultados do que quase todos os países ricos. A saúde é gratuita, mas o Estado gasta pouco por cada paciente. Este sucesso é possível graças a uma estratégia que prioriza a prevenção, evitando o recurso contínuo aos hospitais. Estas conclusões encontram-se num artigo do jornal inglês The Guardian, que investigou o sistema nacional de saúde em Cuba, depois do filme de Michael Moore ter revelado as virtudes da pequena ilha, que contrastam com os fracos cuidados de saúde nos EUA, privatizados e acessíveis a poucos.
O filme Sycho, de Michael Moore, já tinha mostrado a discrepância ao nível dos cuidados de saúde entre Cuba e os EUA. Em entrevista à revista Times, Moore faz um apelo. "Não estou a vangloriar o regime de Fidel Castro. Apenas quero dizer aos amigos americanos: vamos lá, nós somos os EUA, se eles conseguiram fazer isto, nós também podemos".
De acordo com a Organização Munidal de Saúde, em Cuba a esperança média de vida é de 75 anos nos homens e de 79 anos nas mulheres. A probabilidade de uma criança com menos de cinco anos morrer é de cinco para 1000, um resultado melhor do que nos EUA ou no Reino Unido.
Em Cuba, os cuidados de Saúde são universais e gratuitos. Mesmo assim, o Estado Cubano gasta por paciente 10 vezes menos do que o reino Unido e 20 vezes menos do que nos EUA.
Segundo o Guardian não existe mistério nestes números: o segredo está na prevenção. Apostando no exercício físico, na higiene e nos chek-ups regulares é possível prevenir as doenças antes que piorem e tornem onerosa a cura.
As campanhas pela prevenção estão fortemente presentes na ilha. Desde o incentivo ao exame de sinais de tumores, úlceras, até ao uso do preservativo. Por outro lado, a vacinação das crianças é assumida como uma prioridade, e Cuba exporta mesmo vacinas da meningite B para o resto da América Latina.
Mesmo assim, muitas vezes as farmácias não têm medicamentos básicos como a aspirina, apesar de recentemente esta situação ter sido resolvida. Além disso, o Estado pormove as medicinas alternativas, como ervas medicinais chinesas, mais baratas que as drogas ocidentais.
Mais impresionante ainda é o número de habitantes por médico. Se no Reino Unido existe um médico por 435 pessoas, em Cuba essa relação é de 1 para 175. Todos os cubanos têm um Centro Médico perto da sua residência que pode mesmo fazer pequenas cirurgias, sem listas de espera e sem necessidade de recorrer a um hospital.