Paquistão: autoridades barram entrada a ex-primeiro ministro

10 de setembro 2007 - 17:56
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Nawaz Sharif Apesar da decisão favorável do Supremo Tribunal Paquistanês, Musharaf impediu hoje o regresso do ex-primeiro ministro ao país. Sharif aterrou pela manhã no Paquistão, mas algumas horas depois já estava a caminho da Arábia Saudita, acusado de corrupção e fraude fiscal.

O ex-Primeiro Ministro cumpre agora o sétimo ano de um exílio de 10 anos, imposto por Musharaf, o actual líder do Paquistão que chegou ao poder através de um golpe de Estado precisamente contra Sharif. Musharaf consegue assim afastar um possível adversário de peso para as eleições presidenciais que se avizinham.



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O avião que transportava Nawaz Sharif aterrou em solo paquistanês âs 8h30 locais. Os sues apoiantes festejaram a chegada entoando cânticos a favor da democracia e contra o actual Pirmeiro Ministro Musharaf. Mas a alegria durou pouco: a pista de aterragem foi tomada por forças especiais da polícia que impediram a saída de Sharif.



Depois de algumas horas de negociação, já na sala VIP do aeroporto, um funcionário do Tribunal de Contas do Paquistão anunciava num megafone que o ex-primeiro ministro era acusado de delitos de fraude e corrupção relacionados com os seus anos de governação. Pouco depois, foi recambiado para a Arábia Saudita.

Em declarações à imprensa, Sharif, que regressava após sete anos de exílio provavelmente para se candidatar contra Musahraf nas eleições do final deste ano, afirmou sentir-se "assombrado pela fabricação desta acusação". Sharif tinha revelado durante a viagem que pretendia restaurar o primado da lei no Paquistão: "É a democracia contra a ditadura".

O governo de Sharif foi derrubado pelo actual presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, num golpe de Estado em 1999. Em 2000, Sharif foi enviado para o exílio na Arábia Saudita depois de ter sido condenado a prisão perpétua por delitos relacionados com a sua governação no Paquistão. No âmbito de um alegado acordo com Musharraf, Sharif terá prometido ficar no exílio durante 10 anos.



No entanto, no dia 23 de Agosto deste ano, o Supremo Tribunal Paquistanês considerou que Sharif tinha o direito de regressar ao Paquistão. Perante esta decisão Sharif tentou mesmo voltar, hoje, mas não passou do aeroporto. A União Europeia apelou para o «respeito» pela decisão do Supremo Tribunal paquistanês e considerou que o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, reenviado para a Arábia Saudita à chegada a Islamabad, deveria ter podido defender-se perante um tribunal.



A Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), o partido liderado por Sharif, e que na última semana já viu alguns dos seus membros serem presos, apresentou hoje um recurso à Corte Suprema alegando que a deportação de Sharif despreza o veredicto do tribunal. "O governo está nervoso com a volta de Nawaz Sharif e quer sabotar a recepção que terá quando chegar, mas não podem impedir o compromisso que temos com o nosso líder", disse à AFP o dirigente do partido Raja Zafarul Haq.