Doente, que pedia eutanásia, morreu em greve da fome

25 de julho 2007 - 15:28
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Giovanni NuvoliGiovanni Nuvoli, doente italiano com esclerose lateral amiotrófica, pediu em Abril passado que lhe dessem um sedativo e desligassem o respirador que o mantinha com vida. Em princípio de Julho, tudo estava preparado para que um anestesista cumprisse o pedido do doente, mas a polícia italiana interveio e não permitiu. Nuvoli decidiu a 16 de Julho deixar de ingerir alimentos e líquidos. A sua morte a 24 de Julho na sua casa de Alghero na Sardenha, após a greve de fome e de sede, comoveu a Itália e relançou o debate sobre a eutanásia na sociedade italiana.

"Sofreu como um cão" disse a mulher de Nuvoli, Madalena Soro, depois de contar que o seu marido morreu após ter decidido deixar de ingerir alimentos em 16 de Julho. Nuvoli vivia há sete anos preso a uma cama. O eurodeputado do partido Radical Marco Cappato declarou: "Giovanni Nuvoli morreu de uma maneira indigna por uma decisão do Estado italiano".

A morte de Nuvoli veio juntar-se à decisão de uma juíza do Tribunal de Roma que decidiu não acusar Mário Riccio, um médico anestesista que desligou, a pedido do doente, o respirador que mantinha vivo Piergiorgio Welby. Estes dois casos reabriram o debate sobre a legalização da morte assistida em Itália e a necessidade de introduzir o chamado "testamento biológico ou vital", uma declaração antecipada da vontade sobre como ser tratado, em caso de doenças crónicas graves.

O cardeal Saraiva Martins declarou, numa entrevista ao jornal "La Repubblica": "A vida é um grande dom de Deus e ninguém pode miná-la, ainda menos um juiz ou um político".

Giovanni Veronesi, médico de oncologia e ex-ministro da Saúde de Itália, qualificou a sentença da juíza como "um passo em frente de extraordinária importância" e que o parlamento "não pode ignorar".

A coligação de direita considerou a decisão da juíza uma "perigosa" abertura à eutanásia. "E em Itália não existe nenhuma lei que a autorize" declarou o líder da União dos Democratas Cristãos, Lorenzo Cesta que acrescentou "Mesmo que seja a pedido do interessado é um delito que teria de ter consequências jurídicas".

A coligação de centro-esquerda no governo considerou que a decisão da juíza corresponde à aplicação da Constituição que garante que cada cidadão pode dar indicações sobre a terapia que deseja. A Ministra da Saúde, Livia Turco, considerou que "a eutanásia não é aceitável", mas que "é necessário respeitar a vontade do doente que não quer ser tratado" e acrescentou: "Agora a palavra passa aos legisladores que terão que garantir os direitos do médico e do doente".