Inundações na Inglaterra devem-se a aquecimento global, aponta estudo

23 de julho 2007 - 19:10
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Inundações em Gloucester - foto da LusaCerca de 150 mil pessoas em Gloucestershire estão sem água potável, nem electricidade, devido às inundações no Reino Unido. Mais 200 mil estão em risco de perder estes serviços, e esta situação pode durar até quarta-feira. Um estudo que será publicado na quarta-feira, na revista "Nature", atribui a culpa das chuvas exageradas ao aquecimento global.

Em alguns locais, a chuva que caiu em algumas horas equivale à que devia cair durante meses e a água expulsou milhares das suas casas, enquanto o rio Tamisa continua a crescer. Largas áreas de campo, nas regiões do sudoeste inglês, continuam alagadas e a população enche os centros de acolhimento temporário, numa das maiores emergências civis vividas no Reino Unido.

Há também relatos de pânico nas tentativas de comprar o máximo de água engarrafada e falhas de abastecimento nos supermercados. Os bombeiros e a Protecção Civil têm sido acusados de uma reacção lenta e já há quem estabeleça comparações com a atitude de Bush, em relação a Nova Orleães. Gordon Brown elogiou o "trabalho fantástico" das corporações de bombeiros e voluntários. Um relatório elaborado conjuntamente por vários institutos nacionais de pesquisa metereológica, usando modelos de previsão de clima, abre o debate quanto às causas desta precipitação anormal. O relatório completo só será divulgado na quarta-feira, mas as conclusões preliminares apoiam a ideia de que o clima inglês foi alterado pela acção humana, aquecendo e tornando-se mais húmido. Segundo o jornal "The Independent", uma fonte informada das conclusões do estudo disse: "O que isto prova, pela primeira vez, é que existe uma "pegada humana" nas mudanças no padrão da precipitação - no aumento da chuva - observado nas latitudes médias do hemisfério norte", o que inclui a Grã-Bretanha. "Isso significa que não é apenas a variação natural do tempo que causou as subidas, mas há uma causa humana detectável", causada pelas nossas emissões de gases de efeito de estufa. A mesma fonte disse que o que está a acontecer na Bretanha encaixa perfeitamente nestas conclusões. A "pegada humana" é detectada através de simulações de supercomputadores relativas aos últimos anos, com e sem emissões de gases de estufa, e depois comparando os resultados com o que acontece no mundo real.