Cerca de 150 mil pessoas em Gloucestershire estão sem água potável, nem electricidade, devido às inundações no Reino Unido. Mais 200 mil estão em risco de perder estes serviços, e esta situação pode durar até quarta-feira. Um estudo que será publicado na quarta-feira, na revista "Nature", atribui a culpa das chuvas exageradas ao aquecimento global.
Em alguns locais, a chuva que caiu em algumas horas equivale à que devia cair durante meses e a água expulsou milhares das suas casas, enquanto o rio Tamisa continua a crescer. Largas áreas de campo, nas regiões do sudoeste inglês, continuam alagadas e a população enche os centros de acolhimento temporário, numa das maiores emergências civis vividas no Reino Unido.
Há também relatos de pânico nas tentativas de comprar o máximo de água engarrafada e falhas de abastecimento nos supermercados. Os bombeiros e a Protecção Civil têm sido acusados de uma reacção lenta e já há quem estabeleça comparações com a atitude de Bush, em relação a Nova Orleães. Gordon Brown elogiou o "trabalho fantástico" das corporações de bombeiros e voluntários. Um relatório elaborado conjuntamente por vários institutos nacionais de pesquisa metereológica, usando modelos de previsão de clima, abre o debate quanto às causas desta precipitação anormal. O relatório completo só será divulgado na quarta-feira, mas as conclusões preliminares apoiam a ideia de que o clima inglês foi alterado pela acção humana, aquecendo e tornando-se mais húmido. Segundo o jornal "The Independent", uma fonte informada das conclusões do estudo disse: "O que isto prova, pela primeira vez, é que existe uma "pegada humana" nas mudanças no padrão da precipitação - no aumento da chuva - observado nas latitudes médias do hemisfério norte", o que inclui a Grã-Bretanha. "Isso significa que não é apenas a variação natural do tempo que causou as subidas, mas há uma causa humana detectável", causada pelas nossas emissões de gases de efeito de estufa. A mesma fonte disse que o que está a acontecer na Bretanha encaixa perfeitamente nestas conclusões. A "pegada humana" é detectada através de simulações de supercomputadores relativas aos últimos anos, com e sem emissões de gases de estufa, e depois comparando os resultados com o que acontece no mundo real.