As eleições legislativas na Turquia ficam marcadas por uma forte afluência às urnas. 42,5 milhões de eleitores, numa população de 71,8 milhões de habitantes, elegem os 550 deputados do parlamento turco. Ao sufrágio concorrem 14 partidos e 699 candidatos independentes, num total de 7395 candidatos. Todas as sondagens dão a vitória ao AKP, Partido da Justiça e do Desenvolvimento, que poderá recolher cerca de 40% da votação, o que, a acontecer, lhe permitirá eleger mais de 300 deputados. Dos 14 partidos poucos serão os que elegerão deputados, pois um partido tem de ter pelo menos 10% da votação para eleger deputados. Para ultrapassar esta limitação, os candidatos curdos, ligados ao Partido para uma Sociedade Democrática (DTP), apresentam-se como independentes.
As eleições legislativas que decorreram neste Domingo na Turquia foram antecipadas pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que é também o líder do AKP, um partido de direita, liberal na economia, pró-islamista e europeísta.
Erdogan decidiu antecipar estas eleições, depois de não conseguir eleger como presidente da República o candidato do AKP, Abdullah Gül. O Presidente da República na Turquia é eleito pelo parlamento e o AKP tinha uma maioria que lhe garantia a eleição. Porém, o exército opôs-se à eleição deste candidato e no parlamento o CHP, Partido Republicano do Povo, nacionalista, secularista e apoiado pelo exército, boicotou a eleição e o Supremo Tribunal anulou-a, abrindo-se uma grave crise no regime e dando lugar a grandes manifestações nas grandes cidades da Turquia. O exército e o CHP consideravam que a eleição de Gül punha em causa o princípio da laicidade.
Erdogan espera obter a maioria absoluta dos lugares no parlamento e governar sozinho. Nas legislativas de 2002 o AKP obteve 34% elegendo 351 deputados.
Para além do AKP, devem também eleger deputados o CHP e o MHP, Partido de Acção Nacionalista, ultra-nacionalista de extrema direita, que associa o governo ao terrorismo e concentra os seus ataques na minoria curda. Outros dois partidos poderão eleger deputados: o DP, Partido Democrata (de direita), e o GP, Partido da Juventude (populista de direita).
Além dos partidos apresentam-se candidatos independentes, prevendo-se a eleição de algumas dezenas desses candidatos.
Os candidatos da minoria curda apresentam-se como independentes, apesar de ligados ao DTP. Nas legislativas de 1999 e de 2002 partidos curdos obtiveram mais de 40% no Curdistão turco, mas não tiveram representantes no parlamento, porque obtiveram 6% no global da Turquia.
Nas eleições de hoje, 17 pessoas ficaram feridas em incidentes relacionados com as eleições legislativas.