O Quarteto para a paz no Médio Oriente reúne-se esta tarde e amanhã em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, com a presença da Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, do enviado especial do Quarteto para o Médio Oriente, Tony Blair, e do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Labrov. Estarão também a Comissária Europeia Benita Ferrero-Waldner, e Javier Solana, representante da UE para a política externa, além de membros do governo português e da UE. Apesar das declarações optimistas, não se vê, porém, que passos o Quarteto dará que possam de alguma forma superar o impasse a que chegou o chamado Processo de Paz.
Para Javier Solana, "há um optimismo novo, uma certa esperança de que o processo possa pôr-se em marcha" devido, sobretudo, ao actual entendimento entre o presidente palestiniano, Mahmud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. Solana disse que a recente reunião entre Abbas e Olmert teve "um clima magnífico, tanto pelo movimento como pela substância".
No entanto, o governo israelita já rejeitou publicamente a realização de negociações sobre as fronteiras de um futuro Estado palestiniano. Um porta-voz do governo de Telavive disse que "deixámos muito claro que não queremos discutir neste momento questões-chave como fronteiras, refugiados e Jerusalém", isto é, todas as principais questões.
A Autoridade Palestiniana já disse que espera que o Quarteto aprove uma declaração pressionando Israel a aplicar os acordos de paz, acabar com o bloqueio aos territórios e suspender a construção do muro em volta da Cisjordânia. Já Israel fez saber que espera uma declaração de "forte apoio" à Fatah e um compromisso de ajuda financeira para a reactivação da economia e das instituições palestinianas, que o governo de Israel sistematicamente bloqueou e destruiu.
Eleições antecipadas
Em Ramallah, Mahmud Abbas disse que pretende convocar eleições presidenciais e parlamentares antecipadas nos territórios palestinianos, mas não marcou qualquer data, sublinhando que não espera pela aprovação "daqueles que estão sentados em Gaza", referindo-se ao Hamas.
Por sua vez, um porta-voz da organização que venceu as últimas eleições palestinianas disse em Gaza que "o chamado do presidente a eleições antecipadas é inaceitável, inconstitucional e ilegal. Vai ficar apenas tinta no papel, e nem Abbas nem todos os jornais que o apoiam conseguirão fazer quaisquer eleições enquanto o Hamas as rejeitar."