O governo israelita rejeitou a realização neste momento de negociações sobre as fronteiras de um futuro Estado palestiniano, lançando muitas dúvidas sobre o futuro da proposta de Conferência de Paz para o Médio Oriente adiantada ontem pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. "Israel disse abertamente que deseja conversar sobre questões de 'horizonte político' e sobre como concretizar a visão de dois estados para dois povos", disse uma porta-voz do primeiro-ministro Ehud Olmert. "Mas deixámos muito claro que não queremos discutir neste momento questões-chave como fronteiras, refugiados e Jerusalém".
Ontem, Bush defendeu a realização de "negociações sérias" que apontem para a criação de um Estado palestiniano, defendendo que a Conferência deveria chegar a um acordo sobre fronteiras, e dando a entender que outras questões, como Jerusalém e refugiados, poderiam ficar para estágios ulteriores.
Na segunda-feira, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair realiza a sua primeira visita a Israel e à Cisjordânia desde que foi nomeado enviado do Quarteto de mediadores para o Médio Oriente. Um porta-voz de Blair disse que ele está satisfeito por o seu mandato lhe permitir ter um papel essencial para a paz na região, mas é grande o cepticismo em relação ao resultados que o ex-primeiro-ministro, sempre colado a Bush, possa obter.
Uma fonte do governo israelita disse que não levava muito a sério o impulso de Bush para negociações, por este não ter estabelecido qualquer calendário.