Cerca de 100 barris com lixo nuclear tombaram em consequência do terremoto de segunda-feira no Japão, e alguns foram encontrados com as tampas abertas na central nuclear de Kashiwazaki Kariwa, no Norte do país. O terremoto de segunda-feira atingiu o grau 6.6 na escala de Richter e provocou a morte de nove pessoas e ferimentos em mais de mil. Treze mil ficaram desalojadas. O sismo provocou também uma fuga de água radioactiva na central, a maior do mundo em termos de produção de electricidade. Um porta-voz da Tokyo Electric Power disse que a empresa está ainda a determinar as consequências da abertura dos barris, mas afirmou que não há perigo para o ambiente ou para as pessoas. Mas a demora da informação está a levantar suspeitas entre activistas antinucleares.
As autoridades japonesas já tinham dito que a fuga de água radioactiva não causara contaminação do ambiente. O Japão tem 55 centrais nucleares, que são responsáveis por 30% do fornecimento de energia eléctrica consumida no país.
Horas antes da notícia desta segunda fuga, o governo anunciara estar a avaliar a necessidade de reforçar as normas anti-sísmicas para a construção das centrais nucleares.
"Queremos acelerar os trabalhos para confirmar se (os reactores) podem resistir à força e aos diversos cenários dos sismos", disse o ministro da Economia, do Comércio e da Industria, Akira Amari. "Vamos dar uma resposta depois de examinar cuidadosamente como o sismo ultrapassou as normas previstas de resistência (dos reactores)", disse o porta-voz do governo, Yasuhisa Shiozaki.
"Os estragos na cidade foram maiores do que tínhamos imaginado", disse o presidente da Câmara de Kashiwazaki, Hiroshi Aida, ao visitar a área da cidade mais atingida. O Ministério da Defesa enviou 450 soldados para a zona para retirar o entulho e procurar sobreviventes, fornecer comida à população e instalar sanitários. Cerca de 50 mil casas estavam sem fornecimento de água, 35 mil sem gás e 27 mil sem electricidade. Treze mil pessoas estão abrigadas em escolas.