Paquistão: 58 mortos na invasão da Mesquita Vermelha

10 de julho 2007 - 13:46
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paquistao_mesquita_vermelhaForças do Exército paquistanês invadiram a Mesquita Vermelha de Islamabad, no Paquistão, onde há sete dias se encontravam entrincheirados militantes islâmicos e centenas de reféns. Pelo menos 58 pessoas morreram, entre elas o líder islâmico que comandava a ocupação, Rashid Ghazi, abatido no subsolo da mesquita. O ataque ocorreu depois do fracasso de mais uma ronda de negociações.

O assalto ocorreu de madrugada. Antes de morrer, Rasheed Ghazi, pediu, em entrevista à TV, que os seus seguidores "vinguem a sua morte". Afirmou que a sua mãe tinha sido ferida.

"Esta é minha última mensagem: que os meus seguidores vinguem a minha morte e empreendam uma guerra para libertar-se do agente norte-americano que tomou todo o Paquistão como refém", disse Ghazi, em referência ao presidente Pervez Musharraf.

A reivindicação de Gahzi e de seus seguidores é que o governo adopte um regime semelhante ao que já vigorou no Afeganistão, no tempo dos Taliban.

A Mesquita Vermelha, Lal Masjid, é vista como símbolo do Islão mais radical no Paquistão. Foi criada em 1965 por Muhammad Abdullah, um clérigo que se pensa ter tido ligações com o ditador General Zia-ul-Haq. Cerca de 5 mil estudantes estudam nas duas madrassas (escolas religiosas) ligadas à mesquita, que é conhecida pelas suas críticas ao actual governo e pela sua posição anti-EUA e pró-taliban. O clérigo principal da mesquita, Abdul Aziz, assumiu em 1998, depois do assassinato do seu pai, Abdullah, e decretou uma fatwa, ou decreto religioso, dizendo que os soldados que tinham atacado e morto militantes islâmicos não poderiam ser enterrados com um ritual muçulmano.

 

Cronologia dos acontecimentos

27 de Março: estudantes femininas, envergando burqas, sequestram três mulheres acusadas de dirigir um bordel. As mulheres foram libertadas depois de se terem "arrependido".

30 de Março: governo cala uma rádio FM considerada ilegal montada por estudantes para propagar a sua visão do Islão.

6 de Abril: o clérigo Abdul Aziz, que dirige a mesquita, anuncia planos de instalar tribunais islâmicos e exorta os seus adeptos de fazerem acções de bombistas suicidas se o seu movimento for proibido.

18 de Maio: estudantes capturam quatro polícias e exigem a libertação de 11 camaradas presos. Os polícias foram libertados mais tarde.

23 de Junho: estudantes raptam nove pessoas, incluindo seis mulheres chinesas, e acusam-nas de dirigir um bordel. São libertadas horas depois.

29 de Junho: o presidente Pervez Musharraf diz que bombistas suicidas da Al-Qaeda estão na Mesquita Vermelha.

3 de Julho: Confrontos entre estudantes e forças de segurança: 150 estudantes atacam um posto de segurança perto da mesquita e capturam armas. A violência continua no dia seguinte, e morrem 16 pessoas.

4 de Julho: Aziz é preso ao tentar escapar disfarçado com uma burqa; 1.200 estudantes rendem-se.