O ministro da defesa australiano, Brendan Nelson, afirmou ontem que a segurança energética é uma das razões para a presença das tropas do seu país na ocupação do Iraque. O chefe do governo, John Howard, um dos poucos e fiéis aliados da Casa Branca com tropas no Iraque, veio mais tarde desmenti-lo, mas foi insuficiente para calar a oposição, que defende a retirada dos mais de 1500 soldados que permanecem no Iraque. Também ontem, mas nos EUA, mais um senador republicano declarou a sua oposição à estratégia de Bush, e no Iraque 17 pessoas morreram e 20 ficaram feridas quando um carro armadilhado explodiu junto a uma sessão de fotos dum casamento.
"Sem dúvida o Oriente Médio como um todo, não só o Iraque, mas toda aquela região, é um importante fornecedor de energia, sobretudo de petróleo, para o restante do mundo. Os australianos e todos nós precisamos pensar no que aconteceria se houvesse uma retirada prematura do Iraque", afirmou o ministro da defesa à ABC australiana. "A segurança da energia é extremamente importante para todos os países do mundo inteiro, e claro, para a proteção e defesa dos interesses da Austrália", justificando um estudo do seu ministério em que a manutenção da "segurança dos recursos" no Médio Oriente aparece como sendo uma prioridade.
Depois de elencar o combate ao terrorismo e o apoio aos aliados norte-americanos para estabilizar a região, Nelson concluíu que "por todos esses motivos, sendo um deles a proteção da energia, é extremamente importante que a Austrália adote medidas que defendam nossos interesses, nossos interesses de segurança, a fim de garantir que sairemos do Oriente Médio, e mais especificamente do Iraque, em uma posição de segurança sustentável".
Ante a surpresa geral no país com estas declarações, John Howard passou o resto do dia a desmentir as afirmações do seu ministro: "Não estamos lá por causa do petróleo, não fomos até lá por causa do petróleo e não permanecemos lá por causa do petróleo", afirmou o chefe do governo australiano. Os trabalhistas acusam o governo de "arranjar desculpas para permanecer no Iraque". "As conseqüências do fracasso ocidental e a derrota no Iraque são sérias demais para permitir que nossa política seja ditada por exaustão, frustração ou conveniência política".
Nos Estados Unidos, cresce a vaga anti-Bush no Senado no que respeita à presença dos soldados no Iraque. Ontem foi a vez do senador republicano Peter Domenici (do Novo México) vir dar o seu apoio a "uma nova estratégia que tire os nossos soldados das operações de combate e coloque-os no caminho de volta para casa". Esta declaração surge na sequência do discurso de Bush no dia da independência, em que voltou a pedir paciência e sacrifício aos norte-americanos. Já na semana passada, outros dois senadores do partido que apoia Bush, Richard Lugar e George Voinovich, vieram a público pedir uma estratégia alternativa à do presidente, defendendo uma retirada gradual das tropas.