Mega-protesto à porta do governo polaco vai continuar

06 de julho 2007 - 16:44
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clique para ampliarNas últimas duas semanas, a Polónia é notícia pelos entraves que colocou nas negociações sobre o tratado europeu. Fora do olhar da opinião pública internacional tem estado o maior protesto político dos últimos anos contra o governo alinhado com a extrema-direita. Desde o dia 19 de Junho, milhares de enfermeiras estão acampadas à porta da residência do primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski, num movimento que teve a solidariedade dos sindicatos e da população. Tudo começou com a manifestação exigindo ao governo a reposição dos 30% de aumento salarial do ano passado (acrescentado "excepcionalmente" como pagamento extra) e o aumento da despesa pública com a Saúde. Na Polónia, uma enfermeira com 20 anos de experiência ganha cerca de 320 euros, pouco mais de metade da média de salários do país. Cerca de 20 mil enfermeiras levaram estas reivindicações até à porta do gabinete do primeiro-ministro. Mas quando os quatro representantes entraram para falarem com algum representante, foi-lhes informado não haver ninguém para os receber, já que Kaczynski se recusava a dialogar com o movimento.



Em seguida, os representantes da manifestação recusaram-se a sair do edifício e os manifestantes decidiram acampar ali mesmo até serem recebidos e verem concretizadas as suas reivindicações. A partir desse dia nasceu uma "aldeia branca" à porta do governo, com autocarros de trabalhadores da saúde a atravessarem a Polónia para solidarizarem-se com o protesto. Também um sindicato de Mineiros (Agosto 80) enviou uma delegação para assegurar a protecção da "aldeia branca" em rotatividade. Chegaram a estar 2000 pessoas acampadas nos últimos dias.



Só ao oitavo dia o primeiro-ministro resolveu falar com os manifestantes, alegando "já estar farto de ter de explicar aos convidados estrangeiros" o que era aquele acampamento à sua porta. Mas as manifestantes decidiram não arredar pé, por não confiarem no mesmo homem que dias antes, referindo-se à greve de fome de algumas das activistas, dizia que "ficar sem jantar de vez em quando não faz mal a ninguém".



As negociações entre governo e sindicatos têm decorrido nos últimos dias e embora haja o compromisso de não perder o aumento salarial e de desbloquear mais verbas do serviço nacional de saúde para pagar salários aos trabalhadores, o protesto vai continuar. A atitude do governo é ainda de intimidação, circulando rumores nos meios sindicais em Varsóvia acerca de uma operação policial em curso para investigar as enfermeiras que pertencem ao sindicato e apoiaram o protesto. Logo no início do acampamento, 400 polícias de choque dispersaram com violência a concentração das enfermeiras, obrigando 3 delas a recorrer a tratamento hospitalar.