Reunião do G-8 começa com manhã de bloqueios

06 de junho 2007 - 13:47
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Foto Ozeflyer/FlickrHoje tem início a reunião do G-8 em Rostock, na Alemanha, e a manhã foi marcada por diversas acções de bloqueio por parte dos activistas que protestam contra a reunião dos países mais ricos. Milhares de manifestantes conseguiram colocar-se logo de madrugada junto à vedação na zona restrita do local onde se realiza a cimeira, e outros bloquearam, de acordo com a polícia alemã, duas estradas que dão acesso ao aeroporto. A reunião terá início num clima de grande tensão não só por causa dos protestos, mas pelas recentes divergências dos EUA com a Rússia e com os restantes países por inviabilizarem metas de redução de emissão de gases poluentes.

As acções de bloqueio à cimeira estão previstas para durar todo o dia e o objectivo dos activistas alter-globalização é o de conseguir atrasar o mais possível a cimeira e impedir que ela funcione normalmente. Esta madrugada, a polícia usou canhões de água para tentar dispersar os manifestantes junto à vedação da cimeira. Outro grupo de activistas conseguiu atrasar a chegada de um grupo de jornalistas, bloqueando a passagem do pequeno comboio usado para os levar do centro de imprensa até à cimeira.



Os participantes da cimeira do G-8 chegam a Rostock num clima de grande tensão. Na véspera da cimeira, George Bush anunciou a indisponibilidade para enfrentar o aquecimento global no quadro da ONU, prometendo uma iniciativa paralela a promover pelos EUA. A chanceler alemã Angela Merkel, que desejava que esta cimeira fosse recordada pelo compromisso de reduzir a emissão de gases poluentes, vê assim os seus esforços desperdiçados e no documento final poderá não conter nenhum objectivo, nem mesmo a longo prazo, para essa redução concertada de emissões.



O actual estado das relações entre os Estados Unidos e a Rússia é outro facto de preocupação na cimeira. Ainda ontem Bush disse em Praga que a democracia na Rússia está comprometida pelo não cumprimento das reformas prometidas. Pelo seu lado, Vladimir Putin não tem calado as críticas ao projectado escudo anti-mísseis que a NATO quer instalar no leste europeu.



Esta será a primeira cimeira de Nicolas Sarkozy e a última de Tony Blair, que hoje em entrevista ao diário inglês Guardian diz estar convencido de que vai convencer Bush a definir metas na redução da emissão de gases poluentes (os EUA são o país que mais gases poluentes lança na atmosfera, contribuindo para o efeito de estufa) no quadro do trabalho das Nações Unidas.

Entretanto, no rescaldo da manifestação de sábado que terminou com uma carga policial que provocou meio milhar de ferido, dois jovens espanhóis foram esta manhã condenados por um tribunal de Rostock a 9 e 10 meses de prisão por terem cometido "actos de desordem pública".