Viragem política na Guatemala

05 de novembro 2007 - 16:59
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guatemala.jpgDepois de 30 anos de ditaduras militares e mais 20 de governos de Direita, a Guatemala elege pela primeira vez um Presidente de Centro-esquerda. Com 95% dos votos contados, Álvaro Colom tem 52,7% contra 47,3% do candidato da direita, o ex-general Otto Pérez Molina, um dos responsáveis pela chacina de quase 200 mil indígenas, na guerra civil que varreu o país por mais de três décadas. Colom quer combater a pobreza que atinge 80% da população, mas mostra-se favorável à continuação da pena de morte no país.



Com 5% de vantagem sobre o candidato da Direita, Cólon declarou-se vencedor das eleições, apelando à "conciliação nacional de todos os guatemaltecos", sublinhando que "agora começa um processo de transformação e mudança que não aconteceu em 50 anos".



Otto Perez Molina reconheceu a derrota: "Hoje perdemos uma batalha, mas não perdemos a guerra. Aceitamos a vontade do povo e os resultados do Supremo Tribunal Eleitoral".



Esta foi a segunda volta das eleições presidenciais. Na primeira volta Colon já tinha ficado à frente com 28% dos votos, contra os 23,5% de Perez Molina. Toda a campanha fica marcada pela violência, facto que influenciou a elevada abstenção, de 65%. Cerca de 50 pessoas morreram durante o processo eleitoral, incluindo candidatos activistas partidários e familiares.



A insegurança e violência que assolam o país estiveram no centro da campanha eleitoral. A Guatemala tem a taxa mais alta do Mundo de assassínios per capita, com 2.857 homicídios na primeira metade de 2007. Perante isto, o candidato da direita exigia "mão dura" enquanto Colom tentou recentrar o discurso na "conciliação e solidariedade", apesar de ser igualmente favorável à continuação da pena de morte.



Outro dos desafios mais importantes do novo Presidente é o combate à pobreza, que atinge 80% da população da Guatemala, o país mais populoso da América Central (13 milhões de habitantes).



Para Colom, os guatemaltecos "viraram a página trágica" do militarismo na Guatemala. Entre 1960 e 1996 este país viveu uma guerra civil que custou a vida a cerca de 200 mil pessoas, quase todos indígenas. Segundo a Comissão Independente de Clarificação Histórica, o exército foi responsável por 90% das violações de direitos humanos ocorridas nessa altura, sendo que o candidato da direita, Perez Molina, assumia então funções de alta responsabilidade no exército guatemalteco.



Alvaro Colom, engenheiro de profissão, é uma das raras pessoas não-índias distinguidas com o título honorífico de "chaman" (pai) por parte das comunidades indígenas maias, que representam a maioria da população (60 por cento).