Ministério de Sarkozy para "Imigração e Identidade Nacional" indigna investigadores

18 de maio 2007 - 17:10
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Foto Ângelo Ferreira de SousaOito investigadores universitários demitiram-se hoje do organismo oficial que estuda a história da imigração em França. É a resposta à criação, por parte do presidente da República recém-eleito, de um Ministério da Imigração e Identidade Nacional, uma mistura classificada de "inaceitável" pelos investigadores da Cité nationale de l’histoire de l’immigration (CNHI).

O texto subscrito pelo historiador Patrick Weil, um dos demissionários da CNHI, afirma que a decisão de Sarkozy quanto ao nome do ministério assenta "na tradição de um nacionalismo assente na desconfiança e hostilidade face os estrangeiros nos momentos de crise".   

A CNHI foi criada em 2003, na sequência de iniciativas do governo Jospin e fez parte do programa de Chirac em 2002, tendo sido formada uma comissão interministerial sobre o projecto. É um organismo que se dedica ao estudo da história e das culturas da imigração em França e nasceu da constatação da necessidade de mudar a atitude dos franceses no que respeita aos imigrantes que vivem no país, alvos de representações sociais muitas vezes negativas e vítimas frequentes de atitudes discriminatórias. Coube-lhe a tarefa de conceber um museu nacional e conservá-lo, bem como um centro de documentação, para além de desenvolver uma rede nacional com parceiros públicos e privados e a organização de colóquios e apoio a jovens investigadores.



Para chefiar este Ministério inédito da Imigração, Integração, Identidade Nacional e Co-Desenvolvimento, Sarkozy chamou um dos seus mais fiéis colaboradores, Brice Hortefeux, que já participara no governo cessante de Villepin.



A composição do governo é encarada por alguns observadores como "ultra-liberal e securitária". É o caso do director da revista Politis citado pelo diário Libération, que se mostra preocupado com a separação da pasta do Emprego (entregue ao ministro da Economia e Finanças, François Borloo) da do Trabalho (que vai partilhar o ministro Xavier Bertrand com as Relações Sociais e a Solidariedade). Para Denis Sieffert, este é um sinal do ultra-liberalismo do governo, para quem o "trabalho será um resultado do crescimento e o tratamento social do desemprego estará separado da política de emprego", sublinhando tratar-se da primeira vez que isto acontece em França.



O número dois do governo de François Fillon é o ex-primeiro ministro Alain Juppé, a quem foi entregue a pasta do Desenvolvimento Sustentável. Não sendo propriamente conhecido pelas posições ecologistas, a expectativa não é por isso menor quanto ao desempenho nestas funções, graças ao seu peso político no governo.



A grande surpresa do governo Fillon foi a chamada do vetrerano socialista Bernard Kouchner para a parta dos Negócios Estrangeiros. Mas o líder do PS veio hoje dizer que isso não se trata de "abertura à esquerda" do governo, mas sim duma "aventura individual" de Kouchner, que deixará de ser membro do PS assim que os mecanismos disciplinares do partido actuarem, afirmou François Hollande.

 

Ver entrevista a Patrick Weil aqui.

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