O Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade o envio de uma força de 26 mil efectivos para Darfur, no Sudão. A missão tem como objectivo proteger a população e tentar pôr fim ao conflito, que dura há quatro anos e já provocou 200 mil mortos. É a maior missão de paz jamais autorizada pela ONU e deve custar cerca de dois mil milhões de dólares no primeiro ano.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que durante meses conduziu as negociações com o governo sudanês, classificou a resolução como "histórica e sem precedentes".
A resolução da ONU aprovada nesta terça-feira autoriza o envio de uma força de 26 mil pessoas, numa missão conjunta da ONU e da União Africana, que será chamada de Missão das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (Unamid, na sigla em inglês).
A missão agora aprovada deve incorporar os 7.000 militares da União Africana, que estão actualmente no Darfur e que não conseguiram dominar o conflito. A UNAMID deve assumir todo o trabalho até 31 de dezembro. A força terá até 19.555 militares, uma parte civil com 3.772 polícias internacionais e 19 unidades especiais de policiamento com até 2.660 homens.
A resolução, número 1769, invoca o capítulo 7 da Carta da ONU, pelo qual as Nações Unidas podem autorizar o uso da força para autodefesa, para assegurar o livre movimento de trabalhadores humanitários e para proteger civis de ataques, reconhecendo a soberania do Sudão.
A resolução final retirou uma cláusula que autorizava a recolha de armas ilegais --medida a que o governo do Sudão se opunha fortemente.
O embaixador do Sudão na ONU, Abdalmahmood Abdalhaleem Mohamad, considerou que a resolução contém "muitos pontos positivos e teve uma considerável abrangência para satisfazer os nossos interesses".