Subiu para 37 o número de mortos no Paquistão, devido a confrontos entre apoiantes do governo e da oposição. O conflito começou ontem em Karashi, quando os apoiantes do Governo tentaram impedir o chefe do Supremo Tribunal do Paquistão, Iftikhar Chaudhry, de sair do aeroporto para participar num acto público da oposição. Chaudry foi suspenso em Março pelo Presidente Paquistanês Musharaf, o que provocou uma onda de revolta com manifestações sucessivas contra a ditadura militar que vigora neste país há oito anos.
Hoje foi imposto o estado de emergência, medida considerada pela oposição como tentativa de calar os que estão contra Musharaf.
Três pessoas morreram hoje em Karashi elevando para 37 os mortos na onda de violência deflagrada ontem, em consequência do braço-de-ferro entre o presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, e o chefe (suspenso) do Supremo Tribunal, Iftikhar Chaudhry. Pelo menos 120 pessoas ficaram feridas.
O início da crise deu-se a 9 de Março quando Musharraf suspendeu Chaudhry, acusando-o de abuso de autoridade. A oposição considerou inconstitucional a decisão de Musharraf de destituir o presidente do Supremo Tribunal paquistanês, devido à proximidade das eleições presidenciais e legislativas previstas para finais de 2007 e início de 2008. Em reacção, Musharraf afirmou que a exoneração do presidente do Supremo Tribunal foi uma decisão tomada «dentro das normas constitucionais e legais, de forma correcta e apropriada».
Os confrontos e troca de tiros entre os apoiantes do ex-presidente do Supremo e os seguidores de Pervez Musharraf começaram nas imediações do aeroporto da cidade, onde Chaudhry chegou esta manhã e onde acabaria por ficar retido. O magistrado, que deveria participar num acto público de apoio às suas posições, foi retido no aeroporto da cidade pelas autoridades.
Após a aterragem do avião em que viajava Chaudhry, os membros do Muttahida Quami Movement (MQM), partido que apoia Musharraf, tentaram bloquear a passagem da comitiva de recepção ao juiz, disparando contra a multidão. O MQM governa na província de Sindh, da qual Karachi é capital, e é aliado da governamental Liga Muçulmana, que apoia Musharraf, que chegou ao poder em 1999 após um golpe de Estado.
Os simpatizantes que o esperavam, militantes do Partido Popular do Paquistão (PPP, oposição) da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto (actualmente no exílio), envolveram-se em violentos confrontos com apoiantes de Musharraf, originando a morte de dezenas de pessoas e ferimentos em perto de uma centena. Segundo a polícia, duas das vítimas foram assassinadas, quando colocavam um cartaz de boas-vindas para celebrar a chegada de Chaudhry.
"Os nossos militantes foram atacados de vários lados. Foram cercados, rodeados e vários deles estão feridos, mas não há nenhuma ambulância disponível para levá-los ao hospital", disse o porta-voz do PPP, Sherry Rahman.
Na noite de sábado, Musharraf ordenou o destacamento dos "rangers" (forças paramilitares) em Karachi para "pôr ordem na cidade". No entanto, hoje ainda foram registados actos de violência, com três mortos, vários feridos e lojas e um posto de gasolina incendiados.
A tensão entre Chaudhry e o regime de Musharraf parece estar para durar, sucedendo-se as manifestações a favor e contra, apesar do estado de emergência.
Desde a sua destituição, o ex-presidente do Supremo Tribunal do Paquistão tornou-se no símbolo da oposição ao poder militar encarnado há oito anos pelo governo de Musharraf.
A saída de Chaudhry causou múltiplas manifestações na oposição, dos partidos islamitas aos movimentos laicos dos ex-primeiros-ministros Benazir Bhutto e Nawaz Sharif. Enquanto a oposição denuncia uma manobra do general Musharraf para se livrar de Chaudh ryantes das eleições do fim do ano, o regime acusa a oposição de politizar um assunto "estritamente judicial".
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