Tony Blair demite-se do cargo de primeiro-ministo

10 de maio 2007 - 17:51
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tony-blairTony Blair anunciou hoje que se vai demitir do cargo de primeiro-ministro e de líder do Partido Trabalhista. A sua governação fica marcada pelo desastre da guerra e ocupação do Iraque e pelo abandono das políticas sociais características da social-democracia europeia, impulsionando a chamada terceira via, comprometida com as políticas neoliberais. Depois de 10 anos de mandato, Blair considera que fez "o que achava que era certo para o país".

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, disse que deixará o cargo no dia 27 de Junho. O anúncio foi feito numa sala cheia de apoiantes e num ambiente de festa. "Fiz o que achava que era certo para o país", resumiu Blair.

"Acho que foi longo e suficiente para mim, mas, mais especificamente, para o país", disse o primeiro-ministro, arrancando risadas da platéia. "Tive muita sorte e fui abençoado". Ao fazer um balanço dos seus três mandatos, disse que "em 1997 as expectativas eram altas, talvez altas demais" e que "agora há mais empregos, melhor saúde e educação, menos crimes."

Tudo indica que será o actual ministro das finanças, Gordon Brown, a suceder a Blair. De acordo com a lei inglesa, a eleição de um novo líder do Partido Trabalhista determina quem ocupará o cargo de primeiro-ministro, processo que durará entre seis a sete semanas.



Brown elogiou as "conquistas únicas" de Blair, que segundo ele foi um "líder mundial" ao longo da última década. Mas para 64% dos britânicos Blair ocupou-se demasiadamente dos assuntos externos em detrimento da política interna.

Uma sondagem publicada pelo jornal "The Guardian" mostra que 58% dos britânicos acham que o líder trabalhista frustrou as expectativas que criou ao chegar ao poder, há 10 anos. Para 53%, o seu estilo de Governo foi excessivamente presidencialista. Metade afirma que ele se preocupou demais com a sua própria imagem.



Os mandatos de Blair à frente do Reino Unido ficam inevitavelmente marcados pelo alinhamento com a política externa de Bush, principalmente pelo apoio político, moral e material à guerra e ocupação do Iraque, que se revelou um desastre e provocou uma queda grande na sua popularidade.



Além disso, foram também as políticas de Blair que deram o nome à "Terceira Via", que não constitui mais do que a rendição da social-democracia ao mercado e ao neoliberalismo. Os seus apoiantes preferem realçar a forma "brilhante" como conseguiu ofuscar o Partido Conservador, através de políticas ao centro, e que tiveram como consequência um crescimento do PIB e do emprego superior a países como a França e a Alemanha.


A sua governação fica também marcada pela revolta que criou em sectores importantes do Partido trabalhista, cujos senadores votaram muitas vezes contra as políticas bélicas e neoliberais de Blair, que também sai prejudicado pela suspeita de que assessores próximos se envolveram num escândalo de venda de títulos honoríficos em troca de doações ao Partido Trabalhista.

Neste momento, são poucos os que acreditam que Gordon Brown possa fazer frente ao líder dos conservadores, David Cameron, principalmente a julgar pelos resultados das últimas eleições locais que deram uma vitória clara ao Partido Conservador.

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