A Câmara dos Representantes aprovou ontem um segundo plano de financiamento da guerra do Iraque, depois da ameaça de veto presidencial ao primeiro plano que fazia depender os fundos do anúncio da retirada das tropas até Abril de 2008. Horas antes desta votação, George Bush ameaçou de novo com o veto, mas propôs-se a negociar com os partidos, por exemplo definindo metas para avaliar o progresso da ocupação do Iraque.
Os fundos propostos garantem as despesas até Julho e fazem depender o resto duma avaliação sobre o empenho do governo iraquiano, mas a sua aprovação pelo Senado não está ainda assegurada.
A votação na Câmara dos Representantes foi de 221-205 para dar a Bush 42,8 mil milhões de dólares em fundos de emergência militar. Os restantes 52,8 mil milhões seriam disponibilizados após Bush disponibilizar os relatórios de avaliação, em meados de Julho. Dependendo destes, a verba seria utilizada ou no prolongamento da ocupação ou na retirada das tropas.
Mas os deputados do Partido Democrata que defendem o fim imediato da ocupação do Iraque levaram também a votação uma proposta nesse sentido, apoiada pela presidente do Congresso, Nancy Pelosi e por dois republicanos. A proposta foi derrotada por 255-171, mas a expressão do voto anti-guerra surpreendeu a maioria dos observadores e até dos proponentes. Um deles,o democrata Jim McGovern, disse que não esperava "chegar nem de perto nem de longe aos 171 votos" e que a iniciativa prova que "o Congresso dos Estados Unidos está a aproximar-se da posição já assumida pelo povo norte-americano".
Agora a questão está nas mãos do Senado, que na próxima semana vai negociar com a Casa Branca as condições para aprovar esta lei do financiamento de emergência da guerra, escapando assim ao veto presidencial.