Iraque: sunitas abandonam governo, generais curdos pedem demissão

04 de agosto 2007 - 4:23
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Maliki e BushNo dia 1 de Agosto, o principal agrupamento sunita que fazia parte do governo iraquiano, com seis ministros, abandonou o governo em protesto contra a recusa do primeiro-ministro a satisfazer as suas exigências.

Na véspera, segundo a agência IPS, o general curdo Babaker Zebari, pediu a demissão, no que foi seguido por outros nove generais, em protesto contra a interferência do primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, no seu trabalho e face à fraqueza do ministro da Defesa. Maliki não aceitou as demissões.

Robert Gates, secretário da Defesa dos EUA, declarou nesta sexta-feira que está decepcionado com a falta de progresso político no Iraque.

Rafaa al-Issawi, um dos líderes da Frente da Conciliação, anunciou que os seis ministros do seu bloco sunita iriam abandonar o executivo. porque o primeiro-ministro não atendeu as suas reivindicações. O bloco sunita, que tem 44 deputados em 275 parlamentares iraquianos, exigia, entre outras coisas: a libertação dos presos que não foram formalmente acusados, o desmantelamento de milícias e a participação de todos os grupos, representados no governo, na tomada de decisões sobre questões de segurança.

Issawi declarou que "o governo continua com a sua arrogância, recusando-se a mudar a sua posição e fechando a porta a qualquer reforma significativa necessária para salvar o Iraque". "Esperávamos que o governo respondesse às exigências ou pelo menos reconhecesse o fracasso das suas políticas, que levaram o Iraque a um nível de miséria jamais visto na história moderna. Mas isso não é nenhuma surpresa para nós", acrescentou.

O gabinete de al-Maliki lamentou a decisão e disse que manteria abertos canais de comunicação com a Frente. "O nosso objectivo tem sido sempre a continuidade da participação política activa e que todos assumam responsabilidades na administração do país e na tomada de decisões", afirmou o governo num comunicado.

Segundo a IPS, um dos generais demissionários terá comentado que "só está com Maliki quem tem fortes laços com o Irão" e concluiu: "Preferimos ser assassinados pelos esquadrões da morte, do que fazer parte de um governo que insiste em que todas as medidas que toma sejam sectárias e pró-iranianas".

O secretário da Defesa dos EUA, quando regressava ao seu país, depois da visita ao Egipto e à Arábia Saudita com Condoleeza Rice, afirmou que acontecimentos recentes, como a saída do bloco sunita do governo iraquiano, são desanimadores. Gates disse também que a administração Bush provavelmente subestimou a profundidade da falta de confiança entre as várias facções iraquianas e acrescentou: "De alguma forma, todos nós subestimámos a profundidade da falta de confiança e como seria difícil para eles se unirem para decidir sobre legislações".

Para alguns analistas, os comentários de Gates foram interpretados como um sinal de desconfiança em Maliki.