Partido de Moqtada al-Sadr sai do governo iraquiano

16 de abril 2007 - 1:24
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Mesquita em Kerbala. Foto de David Greenhalgh - FlickrO partido do líder religioso xiita Moqtada al-Sadr está de saída  do governo. A razão apontada é a recusa do primeiro-ministro em estabelecer um calendário para a retirada das tropas estrangeiras do país. O partido de Sadr tem um quarto dos deputados no parlamento e está à frente de seis ministérios no governo liderado por Nouri al Maliki. A decisão surge uma semana depois da manifestação contra a presença dos ocupantes, convocada pelo líder religioso, que juntou dezenas de milhar de pessoas em Najaf. Este fim de semana completaram-se dois meses desde que os EUA implementaram o plano de segurança para pacificar Bagdad e foi marcado por atentados que provocaram mais de 90 mortos e centenas de feridos.

Fontes próximas de al-Sadr justificaram ao diário francês Le Monde os argumentos do seu partido para abadonar o governo de união nacional. Para esta facção xiita, o seu abandono dá mais liberdade ao primeiro-ministro al-Maliki, que tem sido alvo de pressões internas em sentidos opostos no que diz respeito à relação do poder iraquiano com as forças de ocupação. A retirada não obriga à queda do executivo, mas irá deixar às forças políticas que lá ficam o ónus da colaboração com o ocupante.

Uma série de atentados semeou este domingo o pânico nalguns bairros xiitas de Bagdade. Segundo o correspondente da Associated Press citado pelo Washington Post, mais de 45 pessoas morreram na sequência da explosão de um autocarro e dois carros armadilhados e de um bombista suicida a bordo de um mini-autocarro. No sábado, a cidade de Kerbala tinha assistido a um atentado junto a uma das maiores mesquitas, que provocou 47 mortos e mais de 200 feridos.

Também do lado das tropas ocupantes houve perda de vidas. Dois militares britânicos morreram e outros seis ficaram feridos na queda de dois helicópteros a norte de Bagdade. As tropas enviadas por Tony Blair encontram-se em acção no sul do país, pelo que se suspeita que estes militares fariam parte de um grupo de operações especiais a actuar conjuntamente com as tropas norte-americanas, que assistiram os militares feridos. Três militares norte-americanos morreram em incidentes separados, anunciou o comando militar dos EUA.

Este domingo ficou igualmente marcado pela manifestação de várias dezenas de polícias iraquianos em frente a uma esquadra de Bagdade contra a presença dos norte-americanos no país. Os polícias acusaram os militares dos Estados Unidos de os tratarem como "escravos e animais".

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