Um ano depois da sua detenção, um fotógrafo da Associated Press (AP) continua retido, num campo de prisioneiros no Iraque, por militares norte-americanos, sem acusação formada nem quaisquer provas de infracções cometidas. De acordo com Comissão para a protecção dos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova Iorque, durante a guerra dezenas de jornalistas, na maioria iraquianos, têm sido detidos pelas tropas norte-americanas ou pelas forças de segurança iraquianas. No Mundo, são já 14 mil as pessoas detidas ilegalmente pelos EUA, 13 mil das quais no Iraque.
Bilal Hussein foi feito prisioneiro na cidade iraquiana de Ramadi, a 12 de Abril de 2006. Doze meses depois, os militares norte-americanos defendem a sua detenção apenas porque o consideram uma ameaça à segurança.
«O 12 de Abril é um triste aniversário para os colegas de Bilal em todo o mundo», afirma a directora executiva da AP, Kathleen Carroll.
«Tem estado detido pelos militares norte-americanos no Iraque todo um ano sem culpa formada ou um julgamento que é devido numa sociedade democrática», lembra Paul Gardephe, o advogado que trata o caso para a AP e que regressou recentemente de uma prolongada visita ao Iraque onde falou com militares, autoridades, jornalistas, cidadãos iraquianos e durante mais de 40 horas com o próprio Hussein numa prisão em Camp Cropper, perto do aeroporto de Bagdad.
«Bilal não fez nada para justificar um ano de detenção sem culpa formada», disse Gardephe. «Os militares não providenciaram qualquer prova credível para apoiar as várias acusações de conduta criminal que lhe foram feitas».
Para o advogado "a ausência de provas leva à conclusão que Bilal está detido devido às fotografias que tirou para a AP, publicadas em todo o Mundo e que receberam o prémio Pulitzer da AP em 2005". Carrol acrescenta que as suas fotografias da volátil província de Âmbar não foram bem-vindas", sustentando ser essa a verdadeira razão da sua detenção. A AP adianta ainda que Bilal Hussein é um dos muitos novos fotógrafos e operadores de câmara a trabalhar na província de Âmbar e que foram presos.
Dezenas de jornalistas, na maioria iraquianos, têm sido detidos pelas tropas norte-americanas ou pelas forças de segurança iraquianas durante a guerra, de acordo com Comissão para a protecção dos Jornalistas (CPJ) com sede em Nova Iorque. A maioria é libertada sem julgamento depois de curtos períodos e Hussein é o único que está detido por um período tão prolongado, revelou o director executivo do CPJ, Joel Simon
O porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, numa declaração escrita à AP, disse que o caso contra Hussein foi revisto quatro vezes - a mais recente em Novembro - por três entidades diferentes no Iraque, entre as quais se contam representantes do governo iraquiano e a coligação liderada pelos Estados Unidos. Whitman disse que todas estas entidades determinaram que Hussein representava uma ameaça à segurança e recomendaram «a continuação da detenção».
Paul Gardephe desmente a veracidade destas afirmações. Segundo o advogado as supostas acusações prendem-se com a alegada oferta de falsa identificação feita por Hussein a um "sniper" que se procurava evadir do Iraque e com a publicaçãod e fotografias que foram "sincronizadas com explosões da autoria de rebeldes". Gardephe refuta estas alegações, sustentanto que as falsas identificações são muito fáceis de obter no Iraque e que nnca seria necessário recorrer a um repórter da AP, notando também que os militares americanos apenas adiantam que Hussein nunca providenciou a idenditificação falsa mas que apenas a ofereceu. Qaunto às fotografias sincronizadas com explosões, o advogado diz ter examinado mais de 900 fotografias de Hussein e que nenhuma delas está sincronizada com explosões.
Hussein tem 35 anos, e é um cidadão iraquiano natural de Fallujah, e começou a trabalhar para a AP em 2004. A direcção da AP revela que, nukma extensa análise do seu trabalho, nunca foi indicado nada que revelasse contactos inapropriados com "rebeldes". Até ser detido há um ano atrás, concentrava o seu trabalho fotográfico em Fallujah e Ramadi.
Bilal Hussein é uma das 14 mil pessoas detidas pelos EUA no Mundo inteiro, 13 mil das quais no Iraque, sem que sejam formuladas acusações concretas e na ausência total de provas, impedidos de recorrer aos tribunais para alegar a sua inocência.