O Senado norte-americano aprovou, com os votos a favor de quase dois terços dos senadores, um projecto-lei que permite novas pesquisas com células estaminais, essenciais para o tratamento de diversas doenças. Actualmente, os cientistas americanos que recebem subsídios federais apenas podem trabalhar com linhagens de células estaminais criadas até 2001, devido às restrições impostas por Bush, que entretanto já anunciou a sua intenção de vetar o diploma aprovado hoje de madrugada.
Com 63 votos a favor e 37 contra, o Senado dos EUA ignorou as ameaças de um veto presidencial e aprovou a ampliação dos fundos federais para as pesquisas com células-tronco embrionárias. Esta medida desafia a ordem emitida por Bush em 2001, que proíbe o financiamento federal de pesquisas com células estaminais extraídas após esta data, o que, para efeitos práticos, limitou para 22 o número de linhagens de células-tronco embrionárias disponíveis. Também no ano passado, Bush usou pela única vez do veto presidencial para impedir a ampliação dos fundos federais para este tipo de pesquisas.
O senador democrata Edward Kennedy criticou as restrições impostas por Bush para a comunidade científica, com implicações negativas na vida diária de milhares de pacientes com doenças crónicas ou degenerativas. "O Senado deve actuar, tal como a Câmara de Representantes, para permitir o avanço das pesquisas com células estaminais", disse Kennedy, frisando que para os democratas, não se trata de ideologia nem de partidos, mas de agilizar a busca de curas para doenças como o diabetes, o cancro e a doença de Parkinson. Os cientistas pretendem o levantamento destas restrições, defendendo que já só existe uma vintena de linhagens utilizáveis e que os Estados Unidos arriscam um atraso considerável neste domínio.
Pouco depois das votações, Bush reiterou em comunicado a sua intenção de vetar o diploma, sustentando que "o avanço da ciência e da medicina não deve entrar em choque com a obrigação ética de proteger a vida humana".
O jornalista Cokie Roberts afrimou que "nenhum assunto ilustra melhor como a ideologia se impõe ao pragmatismo do que as pesquisas com células estaminais", sublinhando o desejo de Bush de se reconciliar com a base conservadora de seu partido.
Na mesma sessão do Senado foi aprovada uma medida mais recuada e que partiu dos republicanos, um segundo projecto-lei que limita os fundos federais a pesquisas com células extraídas de embriões "descartados" nas clínicas de fertilidade e que apoia a busca de alternativas. Este já não poderá ser vetado porque teve a favor mais de dois terços dos votos (70 contra 28).
As células-tronco ou células estaminais têm o potencial de se transformarem em componentes para todo tipo de tecido do organismo, o que explica o entusiasmo da comunidade científica para este tipo de investigação, essencial para combater diversas doenças degenerativas. No entanto, estes desenvolvimentos científicos têm enfrentado a oposição de diversos sectores conservadores, dos quais se destacam o Vaticano e George W.Bush.