Mais de metade da população fugiu da guerra em Mogadíscio

10 de abril 2007 - 20:46
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somalia01Violentos combates forçaram a fuga de mais de metade da população de Mogadíscio (1,4 milhão de pessoas), capital da Somália, para escapar aos combates que se travaram entre 29 de Março e 1 de Abril e que provocaram a morte a mais de mil pessoas. Foram os mais violentos combates travados na cidade há 15 anos.

Os combates opuseram as tropas do governo somali e dos seus aliados etíopes, de um lado, e as milícias islâmicas e de clãs opostos ao do presidente Abdullahi Yusuf's Darod. Calcula-se que mais de 4 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 1,4 milhão de pessoas abandonaram a cidade, que no total tem 2,4 milhões de habitantes.

Os combates explodiram quando as tropas governamentais e etíopes iniciaram na capital um processo de desarmamento que deveria preceder uma conferência de reconciliação marcada para 16 de Abril.

O porta-voz de um grupo de activistas da sociedade civil disse à agência Reuters que ainda há muitos corpos nas ruas, que vão demorar dias a recolher.

A Somália vive um processo de guerra civil desde Fevereiro de 2006 entre a Aliança para a Restauração da Paz e o Contra-Terrorismo, ou ARPCT, e a milícia da União dos Tribunais Islâmicos. Em Novembro, havia dois governos rivais: um chamado governo de transição em Baidoa, reconhecido pela ONU, enquanto que as milícias da União dos Tribunais Islâmicos controlavam a capital Mogadíscio.

Um processo de conversações de paz fracassou e a guerra retomou em Dezembro, quando as forças etíopes invadiram a Somália e entraram em combate ao lado do governo de Baidoa, impondo uma derrota às milícias que controlavam Mogadíscio e que foram forçadas a abandonar a cidade. O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, que tem o apoio dos Estados Unidos, anunciou que o seu país estava em guerra contra os islâmicos para proteger a soberania do seu país.

Novo combate ocorreu em Janeiro, quando etíopes e somalis pró-governamentais expulsaram as milícias para montanhas e florestas. Em 9 de Janeiro, os Estados Unidos intervieram directamente enviando aviões de armamento pesado AC-130 gunships para atacar as posições islâmicas em Ras Kamboni. Mas, como demonstra a nova batalha em Mogadíscio, a guerra não acabou.

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